O PDT poderá perder o deputado estadual mais votado do país em 2010, com 528.628 votos. Wagner Montes, em entrevista exclusiva ao Capital, disse que está estudando convite de outros partidos, entre eles o PRB do senador Marcelo Crivella e o PSD de Índio da Costa e do deputado estadual Dica, e que a decisão sobre sua permanência ou não no PDT será decidida até o dia 6 de outubro. “Estou pensando e já disse ao Lupi que se eu for sair, ele será o primeiro a saber. O prazo é até 6 de outubro e acho que decido até o dia 30", disse Montes, depois de um dia de muito trabalho - apresentação do programa “Balanço Geral", na Rede Record, e reuniões durante a tarde.
- Não estou fazendo charminho, eu realmente ainda não sei se fico. O PDT tem uma militância maravilhosa, aguerrida, que tem o maior carinho por mim, uma coisa muito emocionante. A bancada também tem carinho comigo. Eu gosto muito do PDT, mas acho que deveria receber uma valorização maior. Fui um deputado que em 2006 ajudou a aumentar a bancada e que agora ajudou demais o partido a dobrar a quantidade de deputados na Alerj. Já falei isso com o Lupi, não estou falando por traz - disse Montes. “Não estou dizendo que sou a última bolacha do pacote, a última gota de água no deserto", nada disso, em hipótese alguma, faz parte da minha luta ajudar meu partido, lutar por ele Não me sinto desconfortável nem insatisfeito, eu me sinto largado no PDT. Acho que como todo filho que estuda bastante, que tira boas notas, que passa de ano sem precisar da última nota, gostaria de receber uma afago, um carinho maior por parte do PDT. Nessas mudanças dos diretórios em alguns municípios eu deveria ser ouvido, como no caso de Duque de Caxias, eu deveria ser consultado. É a minha cidade e eu nem sequer fui consultado quanto ao diretório lá", desabafou. “O Lupi merece todo carinho e todo respeito, mas acho que com sua ida para Brasília, o partido, sem o seu comando ficou distante dessas questões humanas, dos seus deputados. Eu falo por mim, eu sinto falta do alô dele, do telefonema dele, do abraço dele, de vê-lo constantemente. O Brasil ganhou um grande ministro, mas nós perdemos um grande presidente", desabafou.
“Eu tenho a cara de Caxias e a cidade também tem a minha cara"
O Capital quis saber do deputado caso fosse convidado pelo PDT a concorrer à prefeitura de Duque de Caxias, o que responderia. “Eu diria que o convite me gratifica muito mas veio tarde demais, até porque não tenho domicílio lá, então não haveria tempo hábil. Se lá atrás tivessem me consultado, aí a resposta seria outra, automaticamente eu iria para Duque de Caxias para perguntar à população se me queria ou não candidato", disse o deputado. “Mas sou de Caxias, um dia, quem sabe. Nasci na Taquara, minha infância foi lá. Eu me emociono muito quando lembro de lá, tive uma infância muito pobre, muito difícil, mas nunca me faltou o prato de comida, educação, meus pais sempre procuraram me dar o melhor, meu avô me ajudou bastante com a minha avó. Fui vice-presidente da Grande Rio. Eu estava começando a minha carreira no programa do Silvio Santos, e eu dizia: sou de Caxias e Caxias é terra de gente boa, defendi muito Caxias, então toda vez que eu paro para falar de Caxias eu me emociono. Eu tenho a cara de Caxias e a cidade também tem a minha cara, eu tenho o cheiro de Caxias, eu sempre estarei a disposição de Duque de Caxias e quando o povo de Caxias me quiser eu estarei lá".


