Terras raras, minerais estratégicos e críticos: entenda as diferenças e o papel do Brasil
- abr 27, 2026
Recursos essenciais para a transição energética colocam o país no centro da disputa global entre potências, mas especialistas alertam para dependência externa e impactos ambientais.
O avanço da tecnologia de ponta e a urgência da transição energética transformaram recursos minerais antes desconhecidos do grande público em ativos valiosos da geopolítica moderna. Terras raras, minerais estratégicos e minerais críticos são termos frequentemente usados como sinônimos, mas possuem definições distintas que impactam diretamente a economia e a soberania nacional.
De acordo com o Serviço Geológico do Brasil (SGB), a diferenciação é fundamental para entender por que o mundo olha para o território brasileiro com atenção:
O que define cada categoria?
- Elementos Terras Raras (ETR): Um grupo específico de 17 elementos químicos (como neodímio e lantânio). Apesar do nome, não são escassos, mas sua dispersão na natureza torna a extração economicamente complexa. São vitais para motores de carros elétricos, turbinas eólicas e sistemas de defesa.
- Minerais Estratégicos: São aqueles vitais para o desenvolvimento econômico de um país, essenciais para alta tecnologia, defesa e infraestrutura.
- Minerais Críticos: Definidos pelo risco de desabastecimento. Se um mineral tem produção concentrada em poucos países ou é difícil de substituir, ele é considerado crítico para quem o consome.
"Terras raras podem ser consideradas críticas ou estratégicas, dependendo do contexto. Ou seja, toda terra rara pode ser estratégica, mas nem todo mineral estratégico é terra rara", explica o levantamento do SGB.
O Gigante das Reservas
O Brasil detém uma posição privilegiada no ranking global. Com cerca de 21 milhões de toneladas de terras raras (23% das reservas mundiais), o país só perde para a China. Além disso, o território nacional abriga:
- 94% do Nióbio mundial;
- 26% das reservas de Grafita (2º no ranking);
- 12% das reservas de Níquel (3º no ranking).
O Desafio da Industrialização
Apesar do vasto potencial, o Brasil enfrenta o histórico "gargalo" da exportação de matéria-prima bruta. Atualmente, a China lidera o refino e o beneficiamento desses minerais. Sem desenvolver a etapa industrial, o Brasil corre o risco de manter um modelo primário-exportador.
O professor Luiz Jardim Wanderley, da Universidade Federal Fluminense (UFF), alerta para esse padrão: “O Brasil mantém o mesmo padrão de dependência que teve ao longo de sua história. A gente exporta muitos minerais e os consome muito pouco no mercado nacional”, pontua.
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Impactos Socioambientais
A corrida pelos minerais da transição energética também acende o alerta para os danos locais. Wanderley contesta o conceito de "mineração sustentável", destacando que a atividade compromete recursos hídricos e pode acentuar desigualdades sociais nos municípios mineradores. "Precisamos pensar com muita calma se realmente vale a pena, já que os efeitos socioambientais são significativos", complementa o geógrafo. (com informações da Agência Brasil)
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