Balança comercial tem maior superávit para outubro em 37 anos
- nov 08, 2026 - Por Redação Jornal Capital
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Com salto de 20% nas exportações, saldo comercial atingiu US$ 9,32 bilhões no mês; alta do petróleo e acordos com a União Europeia compensaram queda nas vendas para a China.
A balança comercial brasileira registrou o maior saldo positivo para meses de outubro em 37 anos. Segundo dados divulgados nesta sexta-feira (6/11) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), as exportações superaram as importações em US$ 9,32 bilhões — um resultado 39,4% superior ao apurado em outubro de 2025, quando o superávit foi de US$ 6,69 bilhões.
O desempenho recorde para a série histórica, iniciada em 1989, foi alavancado por uma forte expansão de 20% no valor das exportações, impulsionadas principalmente pelos embarques de petróleo, combustíveis, cereais e soja. A corrente de comércio — soma de tudo o que o país vendeu e comprou no exterior — subiu 17,7%, alcançando US$ 56,33 bilhões, cifra que também representa o maior patamar já registrado para o mês.
Principais números do mês
- Superávit comercial: US$ 9,32 bilhões (+39,4% ante outubro de 2025);
- Exportações: US$ 31,51 bilhões (+20%);
- Importações: US$ 24,82 bilhões (+14,8%);
- Corrente de comércio: US$ 56,33 bilhões (+17,7%).
Setores em alta nas vendas externas
O avanço das exportações brasileiras no mês foi liderado pela indústria extrativa, seguida pelos setores de agropecuária e de transformação:
- Indústria extrativa: US$ 11,52 bilhões (+53,5% ante outubro de 2025);
- Indústria de transformação: US$ 18,38 bilhões (+7,7%);
- Agropecuária: US$ 7,63 bilhões (+12,8%).
Entre os produtos, destacou-se o petróleo bruto na indústria extrativa, com alta de 122,6% frente a outubro do ano passado, além de um salto de 900,6% na receita de minérios de metais e concentrados. No caso do petróleo, a expansão combinou o aumento da produção nacional a uma elevação de 36,7% nos preços médios internacionais, refletindo o recente agravamento das tensões no Oriente Médio.
Na indústria de transformação, as vendas de combustíveis avançaram 164,5%, enquanto as de farelo de soja subiram 39,1%. Na agropecuária, a soja em grão registrou alta de 8,9%, enquanto os embarques de animais vivos (exceto pescados) subiram 212,1%. O embarque de centeio e aveia saltou de US$ 2,8 milhões para US$ 338,8 milhões — alta expressiva decorrente do ajuste de cronogramas de embarque.
Vendas por mercados compradores
O Brasil registrou crescimento nas exportações para quase todos os seus principais parceiros comerciais em outubro:
- Ásia: US$ 15,41 bilhões (+9,3%);
- Europa: US$ 7,76 bilhões (+35,8%);
- América do Norte: US$ 5,66 bilhões (+47,4%);
- América do Sul: US$ 4,58 bilhões (+14,9%).
Para a União Europeia, a alta nos embarques é impulsionada pelos desdobramentos do acordo comercial com o Mercosul, que tem alavancado a demanda por alimentos brasileiros no bloco europeu.
As vendas para os Estados Unidos avançaram 11,4% no mês, mesmo em meio às disputas comerciais e aplicação de tarifas. O resultado positivo ocorreu porque itens estratégicos — como aeronaves, carne e suco de laranja — foram preservados do aumento tarifário após negociações bilaterais. Com o desempenho mensal, as exportações acumuladas para o mercado norte-americano no ano passaram a ter variação positiva de 0,2%.
Em contrapartida, as vendas para a China apresentaram recuo de 5,3% em outubro, movimento explicado pelo término de cotas temporárias de importação para carnes brasileiras.
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Custo dos combustíveis encarece importações
Do lado dos desembarques, as compras brasileiras de produtos estrangeiros subiram 14,8% em outubro, somando US$ 24,82 bilhões. O avanço foi puxado sobretudo pela conta de combustíveis, que disparou 86,8% no valor total (atingindo US$ 4,5 bilhões), influenciada por uma alta de 84,2% nos preços médios internacionais de energia.
Por categoria de uso, as importações registraram os seguintes valores:
- Bens intermediários: US$ 15,2 bilhões (+2,7%);
- Bens de consumo: US$ 5,1 bilhões (+25,9%);
- Combustíveis: US$ 4,5 bilhões (+86,8%);
- Bens de capital: US$ 3,7 bilhões (+4%).
A desaceleração no ritmo de crescimento dos bens de capital reflete o ambiente de taxa de juros elevada no país, que vem reduzindo o ritmo de investimentos industriais na aquisição de máquinas e equipamentos.
Acumulado do ano e projeções
De janeiro a outubro de 2026, a balança comercial acumula um superávit de US$ 71,04 bilhões:
- Exportações acumuladas: US$ 321,88 bilhões (+11,2%);
- Importações acumuladas: US$ 250,84 bilhões (+6,1%);
- Saldo comercial acumulado: US$ 71,04 bilhões (+34,1%).
Diante da conjuntura internacional, o Mdic revisou em outubro sua projeção de superávit para o fechamento de 2026, reduzindo a estimativa de US$ 90 bilhões para US$ 84,4 bilhões. As exportações totais do ano foram revisadas de US$ 394,4 bilhões para US$ 382,5 bilhões, e as importações passaram de US$ 304,4 bilhões para US$ 298,1 bilhões.
Mesmo com a revisão, o saldo projetado de US$ 84,4 bilhões será o segundo maior resultado anual da história, ficando atrás apenas do recorde alcançado em 2023 (US$ 98,8 bilhões). A estimativa do governo segue mais otimista que a do mercado financeiro apurada pelo Boletim Focus do Banco Central, que projeta um superávit comercial de US$ 79,9 bilhões para este ano. (com informações da Agência Brasil)
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