A partir da próxima quarta-feira (14), manifestantes de 20 países europeus promoverão uma série de protestos contra as medidas de austeridade lançadas pelos respectivos governos na tentativa de conter os efeitos da crise econômica internacional. A reação dos europeus ocorre no momento em que vários governos defendem medidas de cortes de despesas públicas, de vagas de emprego e benefícios sociais. A onda de protestos é comandada pela Confederação Europeia dos Sindicatos sob o lema “Pelo Emprego e pela Solidariedade na Europa, Não à Austeridade". No dia 14, estão marcadas paralisações de 24 horas contra a austeridade em Portugal e na Espanha, enquanto na Itália e na Grécia ocorrerão paralisações de três a quatro horas.
Em Vilnius, na Lituânia, a paralisação atingirá os transportes públicos. Em Bruxelas, na Bélgica, haverá manifestação em frente à sede da Comissão Europeia. Na França, estão previstas 25 manifestações. A ideia é mobilizar 40 organizações sindicais. Além dos 20 países, três também se associaram às manifestações, que ocorrerão em outro período. São eles a Suíça, Eslovênia e República Checa. Na Suíça, estão agendadas várias manifestações e o mesmo ocorrerá na Polônia.
MERKEL - Na véspera de um encontro com autoridades e empresários portugueses, a chanceler alemã, Angela Merkel, adotou um tom mais brando sobre a condução da economia lusitana. Em entrevista à TV estatal portuguesa (RTP) no domingo (11), a chanceler disse que o governo português “cumpriu muito bem" as exigências de ajustamento fiscal feitas pelo Fundo Monetário Internacional, o Banco Central Europeu e a União Europeia (a chamada Troika) e que a população de Portugal tem sido “muito corajosa". Em outros momentos da crise econômica na zona do euro, Angela Merkel foi bastante crítica em relação à condução da economia e já sugeriu que países como a Grécia e Portugal transferissem para a União Europeia o controle do orçamento a fim de evitar desajustes fiscais.
O tom mais suave da chanceler demonstra sensibilidade com o país que está com taxa de desemprego em torno de 15% (mais de três pontos percentuais acima das demais nações da zona do euro); onde os impostos sobre pessoa física foram recentemente aumentados; e o governo quer enxugar 4 bilhões de euros em gastos do Estado em 2013 e 2014 (inclusive para saúde, educação e proteção social). Toda semana, os portugueses fazem protesto em frente à Assembleia da República (o Congresso Nacional) e na quarta-feira (14) participarão da greve geral que deverá ocorrer também na Grécia e na Espanha.
O discurso mais brando também interessa aos empresários da Alemanha e de Portugal que tentam em meio à crise aumentar o comércio e os investimentos. “Tenham um pouco de paciência. Nós também queremos crescimento, não só austeridade", disse o presidente da Confederação da Indústria Alemã (BDI), Hans-Peter Keitel, na abertura do Encontro Empresarial Luso-Alemão na manhã de hoje.
Segundo dados do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal, a Alemanha é o segundo parceiro comercial dos portugueses no comércio exterior (13,5% das exportações e 12,3% das importações). As dez maiores empresas alemãs instaladas em Portugal faturaram, no último ano, 4,6 bilhões de euros (4 bilhões de euros em exportações – o país é plataforma para fabricação e venda de produtos alemães para a África e para a América Latina).


