Os inúmeros problemas no fornecimento de energia por parte das concessionárias para as indústrias da Baixada Fluminense obrigam grandes empresas a comprar geradores que podem custar até R$ 40 milhões. A cifra dá a dimensão do desafio das concessionárias e de empresários da região e foi revelada pela Braskem no evento “Energia elétrica: competitividade das indústrias da Baixada Fluminense", realizado na tarde da última quarta-feira (13), no Teatro SESI de Duque de Caxias. O debate foi promovido pela Representação Regional da Firjan na cidade. Convidada a participar do debate, a Aneel não enviou representante.
- Uma interrupção pode causar dezenas de milhões de reais de perdas - enfatizou Robson Casali, gerente de produção da Braskem. O problema mais constante é a oscilação de energia. “Hoje (dia 13) tivemos uma que resultou em parada de máquinas por uma hora", informou Ricardo Amaral, gerente de energia da Bayer. Por isso, empresas de grande porte chegam a investir até R$ 40 milhões em um gerador, e R$ 300 mil em no-break, investimentos inviáveis para pequenas e médias empresas. Amaral explicou que os geradores apenas garantem “uma parada segura das máquinas. A gente evita problemas de segurança, mas não perdas financeiras".
PERDAS - Esses custos afetam diretamente as indústrias. “É uma questão de competitividade mundial. A planta industrial da Alemanha igual a daqui teve um só blecaute em 30 anos", comparou Casali. “Nos últimos dois anos, tive perda de 84 horas de produção só com o tempo para religar as máquinas. Na Bélgica, numa planta industrial igual a nossa, essa perda é zero", completou Amaral.
Representantes da Light e da Ampla afirmaram que as empresas cumprem os padrões estabelecidos pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). Mas Alexandre Fagundes, gerente industrial da Nitriflex, apontou que “a regulação do setor elétrico não atende o que as empresas precisam. A automação industrial exige uma qualidade muito maior de energia". Um exemplo é o fato de as oscilações de energia não serem sequer registradas pela Aneel, que também só reconhece interrupções que duram no mínimo três minutos.
O diretor de Planejamento e Engenharia da Ampla, Cesar Fernandes, admitiu que só cumprir o padrão de qualidade estabelecido pela Aneel hoje não basta: “Os modelos terão que evoluir". Executivos das duas distribuidoras concordaram que é importante avançar, mas que é necessário rever a regulação para viabilizar novos investimentos que melhorem a qualidade da energia elétrica fornecida. A morosidade para ligar uma nova indústria à rede elétrica também foi apontada como um grande problema. “Há empresa que está pedindo a ligação há três anos", afirmou Fagundes.
DADOS - Para reforçar ao pleito das indústrias, a Firjan apresentou dados que mostram a urgência na busca de uma solução. Entre 2012 e 2014, a Baixada Fluminense receberá R$ 14,6 bilhões em investimentos. As facilidades logísticas proporcionadas pelo Arco Metropolitano e o Porto de Itaguaí vão atrair mais empresas para o local. “A energia elétrica é fundamental para garantir o desenvolvimento dessa região. Precisamos preparar a Baixada para o futuro", alertou Julia Nicolau Butter, especialista em Competitividade Industrial e Investimentos do Sistema Firjan. “Energia elétrica é um insumo básico para as empresas. É preciso investir na qualidade da energia elétrica e na rapidez da ligação", resumiu Flávio Abreu, presidente da Representação Regional da FIRJAN em Duque de Caxias.


