Desde a semana passada, moradores do Complexo de Manguinhos e do Jacarezinho, na zona norte da capital, podem participar do projeto de inclusão social e digital Fábrica Verde. Criado pela Secretaria Estadual do Ambiente (SEA), o programa permite que alunos aprendam a transformar computadores inutilizados em novas máquinas. Os equipamentos reciclados são doados a tele centros comunitários. A novidade dessa edição do projeto é que, pela primeira vez, o programa contará com o patrocínio da Petrobras, que investirá R$1,2 milhão nas unidades de Manguinhos, do Jacarezinho e do Complexo do Alemão.
Segundo o secretário Estadual de Ambiente, Carlos Minc, a iniciativa lançada em 2011 já capacitou mais de 1.500 jovens e adultos das comunidades do Complexo do Alemão e do Salgueiro. O curso oferece 120 vagas em cada uma das cinco turmas criadas para jovens e adultos entre 16 e 35 anos que cursam ou já tenham concluído o ensino médio. As aulas são dadas nos turnos da manhã e da tarde, três vezes por semana, durante três meses. Os alunos recebem uma bolsa no valor de R$ 120 por mês. No total, cerca de 1.500 computadores montados durante o processo de qualificação dos alunos foram doados gratuitamente a tele centros comunitários e instalados em diversas localidades do estado escolhidos com base no critério da exclusão socioeconômica. Mais de 40 unidades dos centros de inclusão digital foram inauguradas.
O projeto da Fábrica Verde atinge, ao mesmo tempo, dois objetivos: formação profissional de jovens na área de informática e proteção do meio ambiente, devido ao descarte descontrolado de materiais altamente poluentes, utilizados na produção dos componentes dos comutadores, desde a carcaça de plástico e o cinescópio do cinescópio, até metais pesados que entram na confecção das placas de vídeo e semicondutores. Não é sempre que o Governo adota medidas que vão ao encontro das necessidades do cidadão-contribuinte, o que deveria ser uma regra na administração pública, pois vivemos numa República, o que significa coisa pública, (res pública) ao contrário dos países comandados por reis e rainhas, em que prevalece a vontade absoluta do soberano, como ocorria no Brasil Colonial e Imperial.
De todo o modo, tal prática republicana deve ser ampliadas, de forma a contemplar as cidades do Grande Rio e também do interior, pois grande parte do lixo gerado nas cidades é formado pelo descarte de computadores, tornados obsoletos pelo avanço acelerado de novas tecnologias, mas também pela multiplicação de uso dessa mesma tecnologia, como hoje ocorre em automóveis, caminhões, ônibus e até máquinas agrícolas, que já dispõem de computadores de bordo, isto é, comandos operacionais que reduzem o uso do esforço humano, dando mais conforto e segurança para seus condutores.
Como a revolução cibernética é um caminho sem volta, como a máquina a vapor foi para o sistema movido por ventos ou puxados por animais até o Século XIX, devemos nos preocupar, agora, o que fazer com os “gadgets" que se tornaram obsoleto como o celular usado apenas para receber e fazer ligação telefônica diante dos novos iphones e assemelhados.


