Coragem para aceitar a doença e lutar para superá-la é um importante testemunho para outros pacientes. Quando a vereadora Margarete Conceição de Souza Cardoso, a Gaete, descobriu que estava com um câncer no intestino, há 22 meses, não se abateu. Encarou de frente o que, nas suas palavras, “seria mais um desafio a vencer ao longo de minha vida".
- Já passei por vários problemas e nunca deixei de lutar - disse Gaete em entrevista exclusiva ao Capital, concedida em sua residência, no bairro Vila Leopoldina V, bairro onde mora desde que nasceu, há 60 anos. Gaete contou que soube que tinha a doença em outubro de 2014. Ela disse que sentiu forte dor durante uma caminhada e foi levada pela filha ao Hospital Dr. Moacyr do Carmo, onde fez uma ultrassonografia abdominal, que detectou um tumor no fígado. “Embora chocada com a informação do médico, não me acomodei, minha filha quando recebemos a notícia chorou, eu disse engole o choro e vamos a luta, é vida que segue", contou. Segundo ela, procurou um médico que já a havia operado a 23 anos de um tumor benigno. “Ele viu os exames e me encaminhou para um especialista que trabalhava no Inca e também no Moacyr do Carmo. Ele pediu uma colonoscopia [exame que permite a visualização do interior do intestino]. Com esse resultado e outros que eu tinha feito, disse que eu tinha um câncer agressivo no intestino. Falou também que o tumor do fígado já era uma consequência da doença", lembrou a vereadora. A cirurgia ocorreu no próprio Moacyr do Carmo, no dia 22 daquele mês.
Ela diz que começou a fisioterapia em seguida e dois meses depois pegou o resultado da lâmina, que foi negativo no intestino. “Graças a Deus, ali não havia mais problemas. Agora estou cuidando do fígado e fazendo quimioterapia, pois isso não tem como operar, o tumor está no meio da artéria que distribui o sangue para o resto do corpo. Fiz tratamento para neutralizá-lo e agora é só fazer o acompanhamento com exames periódicos. “Segundo os médicos, estou em condições de retornar às minhas atividades, sem problema algum", disse Gaete, que reassume sua cadeira na Câmara de Duque de Caxias nesta segunda-feira (15 de agosto), depois de 132 dias de licença.
- A doença talvez tenha sido a coisa que mais marcou a minha vida. Foi um desafio muito grande, que me levou a uma nova luta e a uma nova vitória - afirmou. “Graças a Deus sou uma mulher que venceu a doença, mas não foram dias fáceis. Na verdade continuei trabalhando durante o período da licença. As pessoas continuaram a me procurar em casa para resolver um assunto ou outro. E eu sempre me envolvia com esses problemas, como faço diariamente. Olhe como são as coisas, eu precisando de ajuda e na verdade estava ajudando a população do meu bairro. Isso me fazia me sentir forte e decidida a continuar lutando" - afirmou Gaete, que atuou durante muitos anos como auxiliar de enfermagem em casas de saúde particulares no município.
Gaete elegeu-se pela primeira vez pelo PFL, em 2004, sendo reeleita em 2008 pelo DEM e em 2012 pelo PSD. Sobre seus planos depois da volta à Câmara, Gaete disse que “muita coisa há para fazer", como por exemplo, conquistar mais uma creche para o bairro. “Já consegui duas [uma no Sarapuí e outra no Dr. Laureano], no meu primeiro mandato, além de uma escola municipal e um CIEP municipalizado. No segundo mandato, fui autora da “lei dos uniformes".
Perguntada sobre sua atuação política, disse que tentará a reeleição para o seu quarto mandato, desta vez no PTN. “Todos ficam me perguntando se vou ser candidata novamente e digo que sim. Deus preservou minha vida, só tenho a agradecer a ele toda hora, por minha vida. Minha comunidade continua precisando do meu trabalho, não vou deixá-la desamparada", afirmou ao lado da filha Anatiele e a neta Manuelle, de 6 anos.
Gaete deixou uma mensagem para as pessoas que tem a doença: “Não se entreguem, não se deixem vencer. Para superar a doença, temos que mostrar que somos mais fortes do que ela".


