Mais de 20 anos depois, o deputado federal Celso Pansera retorna aos quadros do Partido dos Trabalhadores (PT), em cerimônia realizada na Liderança do partido na Câmara dos Deputados, no inicio do mês. O parlamentar, que foi ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação do governo Dilma Rousseff, tem uma longa trajetória de luta em defesa da soberania nacional, da democracia e dos direitos dos trabalhadores. “É um reforço em nossas trincheiras na luta contra o golpe, os retrocessos e na defesa da democracia e do ex-presidente Lula", disse o líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta (RS).
A cerimônia de filiação ocorreu na presença da presidenta nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), de parlamentares petistas, do presidente da agremiação no Rio de Janeiro, Washington Luiz Cardoso Siqueira, conhecido como Washington Quaquá, da presidente do diretório municipal de Duque de Caxias, Aline Rangel, e outros dirigentes. No dia 4, o parlamentar foi recebido no diretório municipal do PT Duque de Caxias, onde reside atualmente, e a Executiva aprovou o seu regresso aos quadros com unanimidade.
Segundo Pansera, a decisão de retornar ao PT, ao qual foi filiado até 1992, foi tomada após profunda reflexão. “Foi uma clara opção política e ideológica, uma escolha por um modelo de sociedade que queremos: democrática, desenvolvida justa e solidária". Ele observou que o conteúdo programático do PT vai ao encontro de seus ideais. O deputado destacou também a importância de se fortalecer, neste momento, as trincheiras da esquerda, que vem sendo atacada pelas forças reacionárias que conquistaram o poder a partir do golpe de 2016. Segundo ele, é necessária uma união da esquerda e das forças progressistas em defesa da Constituição e da democracia.
Nascido em São Valentim (RS), Pansera é filho de agricultores. Na escola, destacou-se na militância estudantil e elegeu-se secretário-geral da União Nacional dos Estudantes (UNE). Aos 26 anos, veio para o Rio. Foi filiado ao PT e depois entrou no PSTU, do qual se desligou em 2001. Votou contra a cassação do mandato da presidenta Dilma e votou favoravelmente às duas denúncias da Procuradoria-Geral da República contra o presidente Temer.
Para ele, o PMDB mudou radicalmente, saindo das origens de centro-esquerda democrática para assumir, com o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, uma agenda neoliberal e de direita, não havendo mais, portanto, condições para que permanecesse no partido.


