Segundo um estudo divulgado pela Agência Notisa, aproximadamente 85% do processo de aprendizado passam pelo sentido da visão. Por essa razão, a deficiência visual pode ser um sério problema nas escolas, sobretudo no Brasil, onde, segundo Abelardo de Souza Couto Júnior, professor de oftalmologia da Faculdade de Medicina de Valença e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, e colegas, estima-se que a maioria das crianças em idade escolar nunca passou por exame oftalmológico.
- As alterações oftalmológicas nas crianças em idade pré-escolar e escolar deveriam ser prioridade nos programas de saúde pública em oftalmologia, pois as mais sérias, como estrabismo, ametropias, anisometropias, cataratas congênitas, retinoblastomas, glaucoma, malformações, etc., podem levar à incapacidade visual e à cegueira e são passíveis de serem descobertas pela triagem e tratadas - dizem os pesquisadores no estudo “Alterações oculares em crianças pré-escolares e escolares no município de Duque de Caxias, Rio de Janeiro, Brasil", publicado ano passado na Revista Brasileira de Oftalmologia.
Os cuidados com a visão na infância como prioridade de uma Política de Saúde levada a sério, segundo a pesquisa, teria a finalidade de garantir o pleno desenvolvimento das potencialidades, o incremento no rendimento escolar e a participação consciente do indivíduo na sociedade. A equipe defende que haja uma triagem nas escolas, realizada por pessoas treinadas, para identificação de possíveis problemas visuais. “Tal prática mostra-se bastante eficaz para a identificação precoce das afecções oculares e para permitir medidas preventivas e terapêuticas precoces e eficazes", argumentam os pesquisadores.
Durante o estudo, os autores acompanharam uma campanha de saúde ocular na rede pública de ensino no município de Duque de Caxias.. Nesse período, foram realizadas 1.800 triagens. Eles constataram que 5,17% das crianças que passaram por essa triagem tinham ametropias e necessitavam de correção por óculos.
Esse percentual de crianças com problemas de visão, num universo de apenas 1.800 crianças num município com mais de 100 escoas e 100 mil alunos, deve servir de alerta para pais e professores, tanto nas redes oficiais, como particulares, exigindo de todos um maior cuidado com os problemas de visão de nossas crianças, que podem ter reflexo tanto na saúde, como no aprendizado. Muitos pais avaliam, erroneamente, o baixo rendimento de seus filhos como falta de interesse por parte da criança, sem perceberem que seus filhos tem problemas de visão. O mesmo ocorre com professores que, sem a devida orientação técnica com relação à interferência dos problemas de visão no rendimento dos alunos, acabam engrossando a porção da sociedade que vê no baixo rendimento um sinal de preguiça ou desinteresse das crianças pelo aprendizado.
A pesquisa realizada pelo Abelardo de Souza Couto Júnior com apenas 1.800 alunos da rede municipal de ensino de Duque de Caxias deve servir de ponto de partida para que as Secretarias de Saúde e de Educação dos municípios passem a atuar, de forma efetiva e de parceria, na avaliação oftalmológica de todos os alunos. Infelizmente, não há vacina para os problemas oftalmológicos, mas existem recursos da medicina para contorná-los e até reduzir os seus efeitos. É apenas uma questão de ponto de vista de Educadores e Oftalmologistas, que podem e devem atuar juntos na prevenção da cegueira, uma doença, esta sim, irreversível.
Para professores e demais interessados pelo assunto, o trabalho do professor Abelardo de Souza Couto Júnior pode ser visto, na íntegra, acessando o link http://www.scielo.br/pdf/rbo.


