O Brasil é o 47º colocado em uma lista de 112 países montada pelo Instituto Gallup a partir da resposta à seguinte pergunta: "Você acha que a imprensa do seu país é livre?" Com as repetidas críticas de Lula às críticas que vinha recebendo da imprensa, principalmente a partir das denúncias do ex deputado Roberto Jeferson da existência de um "mensalão" - uma mesada que o Palácio do Planalto estaria pagando aos parlamentares que fossem fiéis aos interesses do governo - bem como a censura prévia ao jornal "O Estado de S. Paulo", imposta por uma liminar da Justiça de Brasília a pedido do senador José Sarney, proibindo o diário paulista de fazer qualquer menção a um dos filhos do presidente do Senado, a pesquisa do Gallup revela que, para 72% dos brasileiros, há liberdade de imprensa suficiente no país, enquanto para 21%, não (os demais não responderam).
Na média, o levantamento conduzido entre fevereiro e dezembro de 2010 aponta que 67% dos entrevistados acreditam que a imprensa no Brasil tenha liberdade suficiente. Indagada se a percepção de falta de liberdade vem da censura oficial ou da falta de independência da própria mídia, uma porta-voz do Gallup disse que isso varia: "O que podemos ter certeza é que quem respondeu 'não' acha que a mídia no Brasil não tem muita liberdade", disse Lauren Kanry. No alto do ranking está a Holanda, onde 95% dos cidadãos dizem que a imprensa é livre naquele País. Na ponta de baixo está o Chade, cuja imprensa só é livre para 27%. Na Síria, por exemplo, tal como ocorria na Líbia de Muamar Kadafi, os jornalistas estrangeiros são diariamente ameaçados pelas tropas leais ao regime, o mesmo ocorrendo na Venezuela, no Equador e na Bolívia.
Sem uma liberdade plena, não há Democracia. É através da mídia que o próprio Governo controla seus subordinados. Nos casos de demissão de ministros no Governo Dilma Rousseff, as denúncias feitas pela Imprensa foram baseadas em documentos fornecidos por funcionários do governo, o que muitos atribuíram ao chamado "fogo amigo", isto é, gente de dentro do Governo querendo abrir espaço no Governo, sem levar em conta os interesses estratégicos do próprio governo. Afinal, a demissão de um Ministro de Estado não é o mesmo que a demissão do treinador de um clube de futebol que vá mal no campeonato, pois no caso de um Ministério, no sistema de "porteira fechada" adotado desde a posse de Lula, a demissão de um ministro significa a reformulação e o remanejamento dos principais cargos do ministério, todos preenchidos por recomendação do ministro por serem considerados cargos de confiança. Ao contrário dos Países em que vigora o parlamentarismo e os cargos públicos são de provimento efetivo mediante concurso, no caso do Brasil, na União, nos estados e nos municípios há milhares de cargos a serem preenchidos, isto é, a cada queda de um Ministro, ou Secretário, haverá uma enxurrada de demissões e nomeações, que emperram a administração até que os novos dirigentes consigam tomar pé da situação de cada pasta e de cada cargo.
Por esses motivos, nossos governantes são tão sensíveis às críticas da Imprensa, consideradas um desserviço à Nação, como se cada jornalista não passasse de um inimigo infiltrado no Governo, disposto a desestabilizá-lo. Assim, as críticas aos desperdícios de recursos aplicados na Saúde, na Educação e na Infraestrutura deveriam servir de marcos para que os novos dirigentes desses setores se mantivessem atentos à normas legais e aos princípios da impessoabilidade e da transparência de suas decisões administrativas. Para o bem do próprio Governo.


