Para avaliar a relação e a influência da educação infantil no desempenho, competência interpessoal e até a percepção de estresse na 2ª série do ensino fundamental, pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) desenvolveram um estudo com 95 crianças em fase escolar. A Dra. Edna Maria Marturano, da Faculdade de Medicina da USP, e um grupo de colegas contam em um artigo publicado, na edição de junho da revista Psicologia Escolar e Educacional realizaram uma pesquisa com pais, responsáveis e professores em busca de uma resposta.
Segundo os autores do estudo, “os anos do ensino fundamental são uma fase significativa no desenvolvimento das crianças. Ocupando quase uma década, constituem um período de importantes conquistas cognitivas e comportamentais".
Segundo revela a Agência Notisa, especializada em temas de saúde, durante a pesquisa as crianças foram divididas entre aquelas que tiveram educação infantil (EI) e as que não tiveram. Segundo os autores, os estudantes que possuíam algum histórico de ensino pré-escolar apresentaram médias de nota maiores do que o grupo sem pré escolar em todas as provas. Além disso, o grupo de crianças sem educação anterior registrou índices mais altos de suscetibilidade a estressores escolares.
Segundo os autores, as informações fornecidas pelos responsáveis foram mais favoráveis às crianças com pré escolar, indicando, por exemplo, que aquelas que possuíam esse requisito eram avaliadas como mais queridas pelos colegas. De acordo com o artigo, as crianças que frequentaram pelo menos um ano de ensino infantil têm maior habilidade social de autocontrole, responsabilidade e cooperação. Foram realizadas comparações também entre as crianças que tinham histórico de educação infantil e, segundo dados do artigo, não foram encontradas diferenças significativas no desempenho dessas crianças.
Os autores concluem que as crianças que não frequentaram o ensino pré-escolar encontram-se em desvantagem em relação às outras. Eles ressaltam ainda que os benefícios da educação infantil podem ser observados já no primeiro ano de pré-escola, e que têm efeitos prolongados, mesmo após o contato com o ambiente escolar formal. O estudo aponta para a importância da educação infantil no desempenho escolar das crianças, seja no âmbito acadêmico ou social. Afirma ainda que o ensino pré-escolar de qualidade prepara o aluno para os possíveis desafios da aprendizagem convenciona.
Essa pesquisa, além de revelar o papel do pré escolar no desenvolvimento da criança, com reflexos por toda a sua vida, demonstra a importância do pré escolar no sistema de ensino municipal, já que é da responsabilidade das prefeituras o oferecimento de todos os níveis da chamada Educação Básica, fiando para os Estados o ensino de Nível Médio, inclusive o técnico profissionalizante. Como em 2012 teremos eleições municipais – prefeitos e vereadores – o eleitor deve prestar atenção às propostas que os candidatos a esses cargos irão propor durante a campanha eleitoral. Não basta, no entanto, o simples enunciado do tipo "se for eleito, prometo fazer tudo pela Educação". A oferta do candidato deve ter como base estudos a respeito do tema, mostrando o seu efetivo engajamento no desenvolvimento de uma Educação de qualidade em sua cidade. Com diriam nossos avós, de boas intenções e falsas promessas de políticos o Inferno anda cheio. E a nossa paciência, como eleitor-contribuinte, ainda mais!
Para ver o artigo na íntegra, acesse: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-85572011000100011&lng=en&nrm=iso&tlng=pt#back.


