A afirmação partiu do Comandante Geral da Polícia Militar do Estado do Rio, Coronel Erir Ribeiro Costa Filho, ao participar quinta-feira (15) da última reunião do ano do AISP15 - Conselho Comunitário de Segurança Pública de Duque de Caxias - que contou com a presença, como palestrante, do ex Comandante da PMRJ, Coronel Mario Sérgio de Brito Duarte. Ela não teve a conotação de um grito de guerra ou de que a PM vai reagir ás críticas que vem recebendo tanto da mídia, como de entidades da chamada sociedade civil por conta do envolvimento de alguns policiais militares em ações criminosas. Na verdade, essa frase, pinçada do seu discurso de agradecimento pelo convite para participar da solenidade de encerramento das atividades de 2011 do AISP15, revela uma outra postura do Comando Geral da corporação em relação ao desvio de conduta de membros da corporação.
Essa frase seria uma versão particular do lema "Tolerância Zero" do ex prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, como forma de combater a violência naquela importante cidade americana. O prefeito partia do principio de que a tolerência da sociedade para com os crimes menores, como jogar papel nas ruas ou pontas de cigarros pela janela do ônibus, parar "um minutinho" em local proibido, acabavam por tornar a sociedade conivente com os crimes maiores, como as construções irregulares ou em locais proibidos, a derrubada das árvores dos parques e das ruas das grandes cidades, chegando ao consumo e comércio de drogas, pois se não houver usuários, não há interesse pela venda de maconha, cocaina, crack e outras drogas, inclusive as lícitas, como cachaça e vodka. Para o Coronel Costa Filho, a estrutura dos órgãos responsáveis pela Segurança Pública do Estado do Rio sofreu um processo avassalador de desmonte e desmoralização nos últimos 20 anos, onde as Polícias Civil e Militar perderam o foco - garantir a segurança e a tranquilidade da população, isto é, do cidadão que paga impostos e precisa da proteção do Estado.
O comandante geral da PM entende que a Polícia deve ter como metas a ostensividade - que é a presença dos policiais nas ruas – e a eficiência, que só será possível se a administração adotar os mesmos critérios da empresa privada, que é o de premiar os bons funcionários e punir, inclusive com demissão, os que violarem os princípios éticos e legais da profissão. Apesar de desafiar o corporativismo e o sindicalismo de resultados, avessos à meritocracia, o Comandante Geral da PMRJ diz que esse processo de reconstrução da Polícia vai continuar, a começar pela mudança nos programas de preparação tanto de praças, como de Oficiais, voltados para uma polícia técnica, que busque o criminoso usando as mais modernas tecnologias, ao invés do famoso "caldo", em que o suspeito era mergulhado de cabeça para baixo num tanque cheio de água, um método usado e abusado durante os "Anos de Chumbo".
E o assassinato da Juiza Patrícia Acioli pode ser destacado como um divisor de águas entre a tolerância para com os desvios de conduta e os métodos arcaicos de "fabricar confissões", e a nova postura, que é a aplicação rápida e eficiente dos instrumentos para retirar, o mais rápido possível, dos quadros da Polícia os policiais envolvidos em ações criminosas, além de uma investigação técnica, que não se atemorizou quando os indícios apontavam para a cúpula do 7º Batalhão da PM, baseado em São Gonçalo. Os 21 tiros que mataram a destemida Juíza Patrícia Acioli despertaram a PM para a necessidade de extirpar, rápida e cirurgicamente, os tumores morais que ameaçavam uma metástase letal na estrutura de Segurança Pública do Estado do Rio.


