Nova Via Mobilidade assume trens do Rio neste sábado com R$ 600 milhões em investimentos
- mai 31, 2026
Governo do Estado amplia controle sobre o sistema ferroviário, que adota a marca Trens RJ e muda modelo de remuneração da operadora; Operação funciona com foco em metas de desempenho.
O sistema ferroviário do Rio de Janeiro inicia, a partir deste sábado (30/05), uma nova fase em sua gestão. Após a conclusão do período de transição entre a antiga concessionária e o novo operador, o consórcio Nova Via Mobilidade assume oficialmente a operação assistida dos trens. O modelo inédito amplia de forma significativa a participação do Governo do Estado na gestão do transporte e estabelece metas rígidas de desempenho, manutenção e qualidade do serviço.
O foco central deste novo formato é a estabilização da ferrovia e a recuperação progressiva de toda a infraestrutura, tratada como uma das prioridades da atual gestão pública. Ao longo dos próximos meses, os passageiros também começarão a notar mudanças graduais na identidade visual das composições e estações, que passarão a utilizar a marca Trens RJ em todo o sistema.
Neste primeiro momento, a transição se concentra exclusivamente na gestão operacional. Portanto, não haverá alteração imediata nas linhas, nos horários ou no funcionamento das estações. Equipes técnicas do Estado e da nova operadora atuarão em conjunto no monitoramento diário para avaliar o desempenho e implementar as próximas etapas previstas em contrato.
"O sistema ferroviário entra em uma nova etapa, com foco em mais eficiência, segurança e qualidade para os mais de 300 mil passageiros que utilizam os trens diariamente. Será um processo de estabilização da ferrovia e recuperação gradual, baseado em referências técnicas atuais do mercado e metas de desempenho" — afirmou a secretária de Estado de Transporte e Mobilidade Urbana, Priscila Sakalem.
Mais de R$ 600 milhões em investimentos e melhorias estruturais
O planejamento estratégico prevê que, ao longo dos próximos cinco anos, o Estado injetará mais de R$ 600 milhões no sistema ferroviário. O montante será destinado prioritariamente à recuperação da infraestrutura operacional, englobando a substituição de postes, trilhos e dormentes, a revitalização de transformadores e a modernização da rede aérea. Para garantir a transparência e a correta aplicação das verbas, os aportes financeiros contarão com o acompanhamento de uma auditoria independente.
Vale destacar que, desde o início do período de transição, a Secretaria de Transporte e Mobilidade Urbana já investiu mais de R$ 160 milhões na malha. Segundo balanço da pasta, as intervenções iniciais já resultaram na redução de intervalos e do tempo de viagem. A substituição preventiva de cabos também foi apontada como um avanço importante para diminuir as ocorrências de furtos, que afetavam diretamente os horários de circulação.
Para reforçar o patrimônio e dar segurança aos usuários, o governo estuda, em conjunto com as forças de segurança pública, a ampliação de ações integradas de combate a furtos e vandalismo ao longo de todos os ramais.
Atualmente, a malha ferroviária do Estado do Rio de Janeiro conta com uma extensão de 270 quilômetros, dividida em cinco ramais, três extensões e 104 estações ativos — uma dimensão territorial que equivale à distância entre a capital fluminense e o município de Campos dos Goytacazes.
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Entenda o novo modelo operacional por quilometragem
Com o encerramento definitivo da antiga concessão, a malha passa a ser regida por um Contrato de Permissão com duração de cinco anos. A grande inovação do modelo está no formato de remuneração da concessionária Nova Via Mobilidade: o pagamento passará a ser calculado estritamente com base na quilometragem percorrida (trem-quilômetro), e não mais pelo volume de passageiros transportados.
Este mecanismo, que guarda semelhanças com a lógica já aplicada no transporte aquaviário fluminense (barcas), visa garantir maior previsibilidade operacional e assegurar a regularidade das viagens independentemente do fluxo de passageiros.
O consórcio Nova Via Mobilidade assumiu o controle após figurar como o único proponente no certame. A habilitação ocorreu após criteriosa análise técnica e recebeu validação judicial no processo conduzido pela 6ª Vara Empresarial, comprovando o cumprimento integral de todas as exigências técnicas e financeiras estipuladas no edital.



