Quando a alergia afeta o coração
- nov 04, 2026 - Por Redação Jornal Capital
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Entendendo a Síndrome de Kounis
Uma reação alérgica intensa causada pela picada de uma abelha, pelo uso de um remédio comum ou pelo consumo de um alimento costuma ser associada a coceiras na pele, inchaços ou falta de ar. No entanto, existe um fenômeno em que a alergia afeta diretamente o músculo cardíaco: a chamada Síndrome de Kounis, ou síndrome coronariana alérgica.
Trata-se de uma condição em que substâncias inflamatórias liberadas pelo próprio corpo durante uma crise de alergia (como a histamina) provocam um espasmo grave nas artérias do coração ou até mesmo o rompimento de placas de gordura. O resultado é um quadro com todos os sinais de um infarto, que pode surgir inclusive em pessoas sem histórico de problemas cardíacos.
Como a síndrome se manifesta no organismo?
A Síndrome de Kounis pode se apresentar em três cenários principais:
1. Em artérias saudáveis: A reação alérgica causa um fechamento temporário (espasmo) de artérias normais, reduzindo a circulação de sangue no coração.
2. Em artérias com placas de gordura: O processo inflamatório da alergia desestabiliza uma lesão já existente no vaso sanguíneo, favorecendo a formação de um coágulo e levando a um infarto definitivo.
3. Em quem já possui stent: A crise alérgica estimula as plaquetas do sangue, podendo levar ao entupimento do stent previamente implantado.
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Os sinais de alerta
O principal desafio da Síndrome de Kounis é o surgimento simultâneo de dois grupos de sintomas:
Sintomas alérgicos: Urticária (manchas vermelhas na pele), coceira, inchaço nos lábios ou pálpebras, queda de pressão e chiado no peito.
Sintomas cardíacos: Dor intensa ou aperto no peito, falta de ar, suor frio e tontura.
O desafio do tratamento
O atendimento médico para essa condição exige extrema cautela. Medicamentos habitualmente usados em crises alérgicas graves, como a adrenalina, exigem grande rigor na indicação, pois podem fechar ainda mais as artérias e agravar a falta de oxigenação no coração.
O tratamento busca debelar a inflamação com antialérgicos e corticoides, enquanto remédios vasodilatadores restabelecem o fluxo sanguíneo coronariano. Em casos mais graves ou com suspeita de entupimento do vaso, a avaliação imediata por meio de cateterismo cardíaco é indispensável.
Ao notar dor no peito acompanhada de qualquer manifestação alérgica, a busca por atendimento médico de emergência deve ser imediata. O reconhecimento precoce dessa conexão entre imunologia e cardiologia é essencial para salvar vidas.
Dr. Roberto Daiub
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