O Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) do Ministério da Justiça, notificou a gigante Google para que explique, em dez dias, os motivos que levaram a companhia a alterar o texto que trata da utilização de dados pessoais de seus usuários e resume 60 itens em apenas um - o que segundo especialistas é pouco transparente. A decisão da empresa sobre as mudanças na política de privacidade está sendo questionada em vários países, especialmente nos Estados Unidos.
Segundo nota do DPDC, o pedido de esclarecimento "foi feito com base na legislação de defesa do consumidor e no direito constitucional à privacidade" no Brasil. Entre os detalhes solicitados a Google pelo órgão, estão o processo realizado pela companhia para a revisão da política de privacidade. A Justiça também quer saber de que forma a sociedade pode se manifestar sobre as mudanças. E também foi questionado "se há uma alternativa para aqueles que desejam utilizar os diversos produtos, sem que haja uma interconexão de seus dados pessoais entre eles" - alguns exemplos são o Gmail, o Google+ e o YouTube, que precisam que o usuário esteja logado para aproveitar funções específicas de contas pessoais.
Outra polêmica abordada pelo órgão na carta de notificação é o conteúdo privado dos e-mails que também é acessado pela Google (com uma leitura automática de palavras chave) para fins de publicidade customizada. Excluindo a parte técnica, o DPDC pediu ainda informações que dizem respeito a "autorização do consumidor para a combinação de seus dados pessoais com os produtos e serviços" da Google. De acordo com o DPDC, o não cumprimento de uma notificação pode dar origem à um processo administrativo, instaurado pelo órgão na Justiça. A Google não se manifestou sobre a notificação.


