A Caixa Econômica Federal anunciou no último dia 9, o programa Caixa Melhor Crédito, que visa à democratização do acesso ao crédito para as famílias brasileiras e melhores condições de financiamento para micro e pequenas empresas. O Caixa Melhor Crédito tem quatro grandes pilares: redução acentuada das taxas de juros, aumento do volume de recursos disponíveis ao mercado, valorização dos clientes (atuais e de novo relacionamento) e orientação para o crédito consciente.
- Ao implantar este programa a Caixa reafirma o seu posicionamento de instituição financeira que oferece as melhores condições de crédito e de maior respeito ao cliente, e avança para um novo patamar - disse o presidente da Caixa, Jorge Hereda. De acordo com Hereda, o Caixa Melhor Crédito promove uma queda histórica de juros que beneficia todos os clientes, independente de sua condição atual de relacionamento. O Caixa Melhor Crédito priorizará as micro e pequenas empresas, destinando mais R$ 10 bilhões para o setor. Além disso, engloba os principais produtos para as pessoas físicas e beneficia de imediato 25 milhões dos atuais clientes e todos que iniciarem relacionamento com a Caixa, que oferecerá orientação para melhor gestão financeira das famílias e empresas. “A Caixa está aberta a todos os brasileiros que quiserem se relacionar conosco, sempre com as melhores condições", afirmou Hereda.
A redução de juros anual do cheque especial da Caixa chega a 67%. Os clientes com crédito salário terão redução de 8,18% a.m. para 3,50% a.m. Os demais clientes terão taxa máxima de 4,27% a.m., podendo chegar a 1,35% a.m., dependendo do relacionamento. Todos os atuais clientes do cheque especial com taxa superior a 4,27% a.m. terão taxa reduzida a esse patamar retroativamente ao início de abril. O impacto desta redução será sentido imediatamente pelos clientes. Para se ter uma idéia, um cliente que estiver utilizando um limite de R$ 2.000,00 terá uma economia anual em sua despesa média de juros de aproximadamente R$ 1.000,00. As novas taxas vão beneficiar 5 milhões de clientes que já utilizam o crédito.
Bancos privados, porém, querem vantagens
Mesmo depois que a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil anunciaram diminuição de juros para seus clientes, os bancos da rede privada ainda não optaram em fazer o mesmo sem ganhar alguma vantagem com isso. A estratégia agora é discutir algumas medidas com o governo para que acompanhem os dois bancos oficiais, como, por exemplo, facilitação para execução de dívidas de inadimplentes e redução de impostos. Os banqueiros deverão ter um encontro em Brasília nesta terça-feira (10), no Ministério da Fazenda. O conjunto de medidas foi elaborado por um grupo de trabalho, formado por diretores da área de crédito e risco dos bancos privados, coordenado pela Federação Brasileira de Bancos.
Segundo interlocutores, os bancos privados avaliam que o spread (diferença entre o custo da captação e o valor cobrado do tomador final) somente cairá com a adoção de medidas de longo prazo, que melhorem as condições legais e tributárias e não apenas corte de juros “na canetada". Eles acreditam ainda que, mesmo com os cortes significativos nas taxas cobradas pelos bancos públicos, não vão perder clientes, porque há uma resistência natural em trocar de banco.
Nos bastidores, a pressão dos bancos privados foi um dos entraves que tiveram de ser derrubados pelo governo para tocar em frente o pacote de redução dos spreads. Representantes dos maiores bancos mantiveram conversas com a equipe econômica e reclamaram, principalmente, do momento, já que a inadimplência está alta.


