Empresários brasileiros e espanhóis criaram um comitê para viabilizar parcerias em busca de outros mercados. A Ásia e o Oriente Médio são o alvo inicial. Dessa forma, os dois países pretendem, por meio da exportação de produtos manufaturados, amenizar os efeitos da crise e estimular a troca de conhecimentos e experiência. “Precisamos de todos os mercados. Essa é uma saída muito importante da crise, em especial para as empresas médias, por meio desses acordos de colaboração. Isso envolverá a possibilidade, também, de trabalho e intercâmbio para jovens empresários e de estudantes universitários", disse o presidente da Confederação Espanhola de Organizações Empresariais (Ceoe), Juan Rosell.
Segundo o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson de Andrade, essa parceria busca atingir mercados na Ásia e no Oriente Médio, por meio da exportação de produtos manufaturados. “Queremos unir empresas dos dois países para aproveitar a expertise dos espanhóis e o conhecimento dos brasileiros", disse Andrade. Ele aponta o setor têxtil e o energético como os mais beneficiados em um primeiro momento. Andrade também citou os setores que envolvem tecnologia. De acordo com Juan Rosell, o mercado na Espanha vive um momento “complicado". “Tivemos anos de crescimento espetacular até 2008, com nossa economia crescendo quase o dobro das economias do resto da União Europeia. Mas, a partir de 2009, tivemos graves dificuldades. Nos primeiros sete anos deste século, criamos 5 milhões de empregos. E, nos últimos quatro anos, destruímos 3 milhões [de empregos]. Esse é um dado importante, apesar de negativo."
O novo governo espanhol, segundo Rosell, "está começando a fazer reformas que são necessárias" para o mercado de trabalho, para o setor financeiro, e no terreno fiscal, ao simplificar questões administrativas. “Acreditamos que essas reformas não vão dar resultado amanhã, mas em médio e longo prazo. Com a confiança que temos nos empresários espanhóis, acreditamos que serão reformas de resultado no médio prazo."
O rei da Espanha, Juan Carlos I, se reuniu nesta segunda-feira (4) com a presidenta Dilma Rousseff e vários ministros, no Palácio do Planalto. Eles participaram, depois, de um almoço no Ministério das Relações Exteriores. O encontrou serviu para a discussão e ampliação das relações econômicas entre os dois países e a tentativa de encerrar o constrangimento causado pelas dificuldades para a entrada de brasileiros na Espanha e de espanhóis no Brasil. A Espanha é o segundo maior investidor estrangeiro no Brasil, com estoque de capital superior a US$ 85 bilhões. Em 2011, o comércio bilateral registrou US$ 7,97 bilhões - o que representa aumento de 20% em comparação a 2010.


