A indústria é o problema que impede maior crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) - soma das riquezas e bens produzidos no país - este ano, segundo o economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Roberto Messenberg, em entrevista à Agência Brasil. Ele coordena o Grupo de Análise e Previsões da Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas (Dimac) do instituto. “A indústria está patinando", afirmou. Em função do baixo nível da atividade industrial, o Ipea vai rever a previsão para o PIB de 2012 em setembro próximo, segundo adiantou o economista. Na quinta-feira (23), o instituto divulgou o boletim Conjuntura em Foco de agosto, que traz dados relativos a PIB, inflação, emprego, entre outros temas.
Segundo o economista, os números da produção industrial e da indústria de transformação são fracos. “Isso faz com que não venha a se cumprir o cenário esperado de recuperação gradual, embora com mais força, a partir do segundo semestre". Ele reforçou que esse já não é mais um cenário factível. Messenberg disse que a ocorrência de taxas de crescimento elevadas no segundo semestre não permitirá reverter a tendência de redução do PIB. “As indicações são que a taxa de crescimento dessazonalizada nos dois primeiros trimestres ficou aquém das expectativas de todos". Com isso, Messenberg analisou que a média do ano “não será boa". Segundo frisou, “estamos com um viés de baixa". Não quis, porém, arriscar número.
RETRAÇÃO - O economista explicou que o crescimento dos dois primeiros trimestres dessazonalizados, isto é, retiradas as características específicas do período, definem a taxa média de crescimento da economia de um ano para o outro. Ou seja, os dados do primeiro e segundo trimestres estabelecem a base sobre a qual a taxa de crescimento dos trimestres seguintes incide, por isso a projeção pessimista para o PIB. Mesmo com a atividade industrial mais fraca, que apresentou no primeiro semestre retração de 3,8%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Ipea está percebendo uma acomodação no nível de emprego no Brasil este ano, “em um patamar elevado historicamente". Em julho, o emprego no país aumentou 1,4%, considerado o melhor resultado da série de variação interanual desde agosto de 2010.
- A tendência é acomodação, não crescimento, em função até de um dinamismo claudicante no setor industrial - comentou Roberto Messenberg. Como o setor de serviços se mostra bastante aquecido, isso faz com que o nível de emprego em geral se mantenha elevado. Apesar da retração da produção na indústria, o setor não está demitindo, destacou.


