Ao detalhar os gastos das estatais previstos no Projeto de Lei Orçamentária Anual para 2014, entregue na sexta-feira (29) ao Congresso Nacional, a ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão, Miriam Belchior, anunciou uma redução de R$ 800 milhões nos investimentos da Petrobras no país. Também haverá redução de R$ 4 bilhões nos investimentos em subsidiárias e projetos da estatal no exterior. Segunda a ministra, a redução dos aportes no Brasil está relacionada às obras que exigirão menos investimentos no próximo ano do que em 2013, como a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, a modernização de instalações, como a Refinaria Duque de Caxias e a construção de novas unidades de exploração de petróleo, como é o caso do Comperj – Complexo Petroquímico de Itaboraí, na região metropolitana do Rio de Janeiro.
Miriam Belchior explicou que, mesmo com esses cortes, que estabelecem os gastos da Petrobras em R$ 78 bilhões no país, contra R$ 78,8 bilhões em 2013, a companhia “continuará tendo a segunda maior carteira de investimentos entre todas as petroleiras do mundo, com um investimento gigantesco para vencer o desafio da exploração do pré-sal". O corte nos investimentos da Petrobrás – o carro chefe do Governo em matéria de desenvolvimento econômico, pois afeta setores tão diversos como petróleo, gás, naval e serviços – é uma contradição inexplicável, diante da queda de produção de petróleo e derivados, que estão afetando as contas externas, pelo impacto das despesas em dólares na importação de óleo e combustíveis.
O atraso na construção das refinarias Abreu Lima, no porto de Suape, em Pernambuco, em sociedade com PDV da Venezuela, e do Complexo de Itaboraí, que terá uma refinaria e um parque petroquímico, adiaram a concretização do sonho da autossuficiência em petróleo comemorada pelo ex Presidente Lula em abril de 2006, com a entrada em operação da Plataforma P-50, na Bacia de Campos.
Segundo relatório do Tribunal de Conas da União, uma sequência de falhas no planejamento da obra atrasou todo o projeto da Refinaria Abreu Lima – agravado pela falta de aporte de capital prometido pela estatal do petróleo da Venezuela – fez a petrolífera brasileira pagar mais para acelerar a construção, que começou em 2005. Os números atuais são de entregar a primeira etapa em novembro de 2014 e a segunda em maio de 2015, com orçamento de R$ 35,8 bilhões. A refinaria é a primeira da Petrobras em 30 anos. Ela terá capacidade para 230 mil barris de petróleo por dia e vai fabricar diesel e gás de cozinha, entre outros.
A anunciada redução dos investimentos da Petrobrás, o que irá afetar toda a cadeia produtiva do petróleo - como metalurgia, construção civil, indústria naval, entre outras - terá reflexos negativos na economia fluminense, com atraso na conclusão do Comperj, em Itaboraí, e na ampliação da Refinaria Duque de Caxias, cujas obras seguem a passos lentos. Na semana passada, os operários que trabalham na montagem do Comperj entraram em greve para protestar pela demissão de cerca de um milhar de operários, medida tomada pelas empreiteiras diante dos problemas de Caixa da estatal do petróleo, uma das maiores empresas do ramo no mundo.
É uma velha contradição de um País rico em insumos, mas de uma pobreza franciscana, quando se trata de explorar essas riquezas em benefício do país e dos brasileiros.


