De 2005 a 2011, segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), 151.751 crianças foram vítimas de violência no estado. Para tentar frear esse número, a presidente da Comissão de Assuntos da Criança, do Adolescente e do Idoso da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), deputada Claise Maria (PSD), irá encaminhar uma indicação legislativa ao governador Sérgio Cabral para que sejam criadas novas delegacias de atendimento à criança e ao adolescente vitimados no estado. “É necessário ter a delegacia para intimidar, para ter solução, encaminhamentos. E ter apenas uma é realmente um absurdo", disse. O anúncio foi feito na manhã desta terça-feira (10/9), durante audiência pública para debater o tema da violência contra a criança e o adolescente.
Outras frentes estão sendo criadas para combater a violência, como explicou a presidente da Fundação da Infância e Adolescência (FIA), Thereza Consentino, ao apresentar o Sistema Integrado de Proteção à Infância e Adolescência (SIPIA), que funcionará como um sistema de informação sobre os casos de violência contra esse grupo. O sistema, que já funciona em outros estados, inicialmente será implantado no Rio, São Gonçalo e Niterói. “Ele funciona na plataforma web, então o conselheiro tutelar já registra o chamado ao atender a criança. O Conselho Estadual de Direitos da Criança e do Adolescente (CEDCA) destinou R$ 400 mil reais no ano passado para a implantação do SIPIA. Com essa verba nós queremos chegar a toda Baixada Fluminense, pois há índices alarmantes de violência lá", explicou Thereza.
O SIPIA começará a ser implementado em outubro, e a previsão é que até o final do ano ele já esteja estruturado nas três cidades planejadas. A meta é que o sistema abranja 90% dos municípios nos próximos dois anos. Outra frente de combate por parte da FIA para o ano que vem será um guia escolar que irá capacitar profissionais das áreas de Saúde e Educação para identificar quando uma criança sofre violência.
Representante da Secretaria Estadual de Segurança, o delegado-assistente da Delegacia de Proteção à Criança e Adolescente, Gilberto Uzeda, atentou para algumas dificuldades sofridas pela polícia no enfrentamento da questão. Uma delas é o baixo número do efetivo da Polícia Civil, que atua com 8.000 policiais e 400 delegados. Segundo ele, apesar de a Academia de Polícia formar quase 150 novos delegados, o número ainda será insuficiente. Uzeda também abordou dificuldades para a criação de novas delegacias especializadas. “Nós temos que dispor dos meios necessários para criar novas delegacias, isso inclui o efetivo de policiais, que hoje é bem menor do que já foi um dia. A boa vontade não falta, mas é uma questão de gestão do governo decidir as necessidades pontuais de cada localidade", finalizou.


