A presidenta da Petrobras, Graça Foster, disse que nos próximos anos a empresa fará mais investimentos em produção de petróleo do que em exploração, a fase de pesquisas e testes. A informação foi dada em palestra para empresários do setor de petróleo e gás, durante a feira Offshore Technology Conference, no Rio de Janeiro, no último dia 29. "Nos próximos cinco, seis anos, será mais importante para nós o "P" de produção do que o "E" de exploração", disse a presidenta. A companhia tenta elevar suas reservas para diminuir o impacto da importação de combustível. Para não aumentar a inflação, a Petrobras vende mais barato no mercado interno o combustível comprado a preço superior no mercado externo.
Graça Foster anunciou que a companhia deve dobrar de tamanho nos próximos anos, com a entrada em operação de novos poços no pós-sal e no pré-sal. Ela aposta no aumento da produção e comercialização de gás para o mercado interno e externo. "São 171 milhões de metros cúbicos de gás por dia, e trabalhamos também para dobrar nossa capacidade de refino", acrescentou.
Além das incertezas do mercado externo, para a executiva, os desafios da companhia na próxima década são a construção de grandes unidades de produção, sondas e navios com conteúdo local e a redução do déficit de mão de obra de nível técnico. "Este é um grande gargalo", afirmou. Também preocupa a demanda por combustíveis fósseis, em um cenário projetado para os próximos 20 anos, em que combustíveis renováveis ganham força.
NOVA PLATAFORMA - A Petrobras contará a partir de agora com mais uma plataforma, a P-58, de exploração de petróleo e gás. Construída em Rio Grande (RS), ela está prevista no Programa de Aceleração do Crescimento entre as nove novas unidades que serão instaladas pela companhia ainda em 2013. A presidenta Dilma Rousseff participou da cerimônia de conclusão da P-58, na sexta-feira (8), e visitou as obras de construção dos cascos replicantes das plataformas P-66 e P-67 no Estaleiro Rio Grande. A P-58 tem capacidade de produção diária de 180 mil barris de petróleo e 6 milhões de metros cúbicos de gás, informou a Petrobras. A plataforma deve entrar em operação ainda neste ano, o que aumentará a produção de petróleo e o alcance da meta de produção, prevista para 2017, de 2,75 milhões de barris/dia.
A Petrobras acrescentou que a P-58 será instalada no Campo de Baleia Azul, na Bacia de Campos, a cerca de 85 quilômetros da costa do Espírito Santo, em águas com profundidade de 1.400 metros. Ela será ligada a 15 poços produtores, do pré-sal e do pós-sal, e 9 poços injetores dos campos de Baleia Franca, Cachalote, Jubarte, Baleia Azul e Baleia Anã, por meio de 250 quilômetros de dutos flexíveis e dois manifolds submarinos de produção. O escoamento de óleo se dará através de navios aliviadores e do gás através de gasoduto até a Unidade de Tratamento de Gás de Cacimbas no Município de Linhares, Espírito Santo. A plataforma tem 15 módulos responsáveis pelo processamento e tratamento de óleo, gás e água, além de suporte de tubulações e acomodações para 110 pessoas. Ela pesa 63.300 toneladas e tem altura de 119 metros (equivalente à do edifício-sede da Petrobras) e seu comprimento é de 330 metros, o mesmo de três campos de futebol enfileirados.
Dilma Rousseff saudou os mais de 4 mil trabalhadores presentes à cerimônia ressaltando a qualidade do trabalho apresentado na P-58, e falou da trajetória da indústria naval do país nos últimos anos: a indústria naval brasileira, que já havia sido a segunda maior do mundo, tinha praticamente desaparecido. "Mas fomos teimosas, a Graça também, persistindo na ideia de se construir embarcações no Brasil", declarou, lembrando também que hoje o segmento emprega mais de 70 mil pessoas e muitas encomendas estão por vir. “Só para Libra vamos precisar de 12 a 16 plataformas", afirmou Dilma. O bloco de Libra, em que a Petrobras terá 40% de participação, foi o primeiro a ser leiloado sob o regime de partilha de produção.


