A notícia não poderia ser pior: um rombo estimado em R$ 2,8 bilhões no Fundo de Amparo ao Trabalhador - o badalado FAT - deixará a mingua de financiamento em 2012 as micro e pequenas empresas. Esse financiamento, a juros menores do que o cobrado pela lucrativa rede bancária - aí incluídos o BB e a Caixa - era destinado à compra de equipamentos e capital de giro.
No caso da compra de máquinas, prioritariamente feita no mercado interno, há a geração de renda e emprego na indústria de máquinas, enquanto o capital de giro se destina á reposição de estoques e pagamento de fornecedores, o que também concorre para a geração de emprego e renda. Assim, de uma só tacada, a decisão do Governo de suspender as operações do FAT no próximo ano pegou os micro e pequenos empresários, responsáveis por milhares de empregos pois utilizam mão de obra de forma intensiva, afetará os planos desses empreendedores já este ano, pois terão de rever seus planos de crescimento, as encomendas de novos equipamentos, o que irá afetar, por tabela, a industria de máquinas do País, que já sofrem a concorrência predatória das empresas estrangeiras, que contam com juros baixos e financiamentos a longo prazo para as suas vendas no exterior.
Enquanto o Governo Federal promete financiamentos a longo prazo e até participação minoritária no capital em grandes empresas, através dos fundos de pensão dos empregados das estatais, como PREVI, - grupos que já contam com o apoio de farto crédito por parte do BNDES, do BB, da CAIXAS, do BNB e do Banco da Amazônia - o micro e o pequeno empresários só contavam com o FAT para a expansão dos seus negócios. O Governo vem utilizando recursos do Tesouro para injetar capital no BNDES, que financia frigoríficos e grandes construtoras ou compra carteiras de bancos em dificuldades, como recentemente ocorreu com a participação da Caixa na salvação do empresário Silvio Santos no escandaloso caso do Banco PanAmericano.
Outro exemplo de má direcionamento está na promessa de participação, comR$ 20 bilhões, na construção do trem de alta velocidade eu ligaria o Rio a S. Paulo e a Campinas, concorrendo diretamente com as empresas aéreas e rodoviárias nessa importante ligação. O mais grave é que, como não há um projeto pronto e acabado para um trem bala que será parador, com as estações intermediárias sendo indicadas por políticos com intenção de fazer média com seus eleitores.
Não podemos esquecer que, nos primeiros quatro meses do ano, o Governo Federal pagou de dívidas deixadas por Lula nas obras do PAC, referentes a 2010, mais do que o próprio Lula investiu nessas obras, que seguem o padrão preferido do Governo: com um rascunho do projeto, abre-se a licitação e, na hora da execução, descobrem que faltou muita coisa, o que obriga aos famosos aditamentos de contrato. Nesse ponto, o Brasil não fica atrás de outros países no item improviso e desleixo no pagamento de fornecedores, como ocorreu num dos projetos da NASA. Um grande jornal americano comprovou que aquela agência do Governo pagara pelo campo te uma privada mais de 10 vezes do preço cobrados na loja da esquina. E comprovou com nota fiscal.
Infelizmente, no Brasil ainda não se chegou a tanta sofisticação e o cidadão comum, desinformado, continua pagando impostos extorsivos por serviços de péssima qualidade, ou que não são oferecidos pelo Poder Público como Saúde, Educação, Saneamento Basco, Está faltando alguem com o espírito libertário de Tiradentes para comanda uma revolta contra a derrama patrocinada por Brasília. Aliás, Tiradentes está tão por baixo que até miliciano recebe “Medalha de Mérito Tiradentes" da Assembléia Legislativa.


