De maio de 2013 até a última quarta-feira (18), 190 casos de detenção ou violência contra jornalistas foram registrados pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), em manifestações. Ao todo, eles envolveram 178 profissionais. Desde o início da Copa do Mundo, 18 deles sofreram violações no exercício da profissão, nas cidades-sede. O comportamento das forças de segurança tem preocupado a Abraji, que contabiliza que 88% dos casos registrados no Mundial foram provocados por policiais. De acordo com o levantamento da associação, 44% foram intencionais. Uma tendência percebida desde 2013, segundo a entidade.
Para o presidente da Abraji, José Roberto de Toledo, a situação é “preocupante". Por isso, a associação registra e denuncia os casos de violência contra jornalistas. “A gente faz esse acompanhamento não apenas para falar dos riscos à liberdade de expressão e à democracia, mas também para pressionar policiais e manifestantes a deixarem de tratar os jornalistas como alvo", afirma.
Toledo avalia que os jornalistas têm vivenciado duplo risco, pois não podem procurar abrigo ao lado dos manifestantes ou das forças de segurança. Ele também aponta que o uso de equipamentos de proteção individual (EPI), como coletes, capacetes e máscaras, tornou-se necessário. “O jornalista não pode ir mais para um evento desse [manifestação] como ele vai para uma entrevista comum. Ele tem que ir preparado, tem que tomar a decisão se vai enfrentar o risco ou não, porque não é pequena a chance de sofrer agressão", destacou, lembrando que o jornalista pode optar por não fazer coberturas que considere de risco.
No dia 16, após uma jornalista de “O Globo" ter sido presa por um policial militar, ao se recusar a parar de registrar a detenção de um torcedor, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro divulgou nota afirmando que “a violência praticada contra jornalistas chegou a níveis inaceitáveis - e insustentáveis - na cidade do Rio de Janeiro". Nesta segunda-feira (23), a presidenta do sindicato, Paula Mairán, afirmou que de maio do ano passado a maio deste ano, 72 jornalistas do município sofreram agressões. Relatório com essas denúncias será encaminhado para os órgãos competentes, como o Ministério Público - que tem o papel de fiscalizar a atuação externa da Polícia Militar - e o governo estadual.
Para auxiliar os profissionais, a Abraji lançou manual com dicas para os jornalistas trabalharem com menos risco, antes e durante as coberturas. “Sem jornalista não se faz jornalismo, e sem jornalismo não se faz democracia", alerta Toledo. (Agência Brasil)


