Em entrevista exclusiva ao Capital, o prefeito de Duque de Caxias, Alexandre Cardoso (sem partido), fez um balanço das ações em seus dois primeiros anos de governo. Segundo ele, “desde que foi implantada a idéia de saúde da família, você compara Zito, Wasington Reis e Zito. São dezesseis anos. E nós, em dois anos, dobramos o atendimento no Programa de Saúde da Família". E completa: “A cidade voltou a ser a locomotiva da Baixada".
Qual foi a economia, em valores, que o município teve com as medidas de enxugamento?
Não foram apenas cortes de super salários, foi uma série de ações sobre a folha como a questão dos defuntos que recebiam, dos fantasmas... Nós tivemos medidas que não expuseram o dinheiro de Caxias a ser gasto de forma equivocada oufraudulenta. Economizamos algo em torno de três a quatro milhões de reais por mês, estamos falando de em um ano, em torno de R$ 50 milhões. Outra questão importante é a gestão sobre preços, Caxias hoje utiliza o pregão eletrônico e temos, seguramente os menores preços de contratação de mão de obra, de contratação de lixo, medicamentos, enfim, das compras que você tem. Então na verdade é gestão de recursos humanos, gestão de compras, em toda a folha e principalmente aplicação de recurso da forma mais correta. Hoje Caxias é um exemplo na gestão das compras, dos recursos humanos e principalmente na gestão de investimentos.
Como foram aplicados esses valores?
A saúde é uma prioridade e a educação também. O problema com a saúde é que as pessoas estavam morrendo na cidade. Avançamos no programa de saúde da família, na saúde secundária para depois fazer a terciária.O que acontece é que Caxias não tinha planejamento da saúde. Hoje temos muitas críticas ainda, mas saltamos de 23,3% para 48,5% e vai sair para 55% de unidade da saúde básica, é Programa de Saúde da Família. Antigamente, 77% não tinham nada. Esse número foi reduzido. Nós estamos comparando, desde que foi implantada a ideia de saúde da família, você compara Zito, Washington e Zito. São dezesseis anos. E nós, em dois anos, dobramos o atendimento no Programa de Saúde da Família.
Haverá novas medidas, como diminuição de secretarias, por exemplo?
O Tribunal de Contas do Estado é que determina estas questões e nós estamos estudando sempre possibilidades de fazer adequações, não faremos nada fora da lei ou que prejudique o aposentado. Acabamos de fazer a nova programação e a reestruturação da previdência de Caxias. Agora, nós temos que encontrar soluções para financiar a previdência. São erros de 20 anos que quebraram a previdência, e hoje estamos com enorme dificuldade e todos os meses colocamos R$ 7 milhões do tesouro no IPMDC.
Em 2014, qual foi a arrecadação do município? O valor está dentro do que foi previsto?
Essa informação só teremos após o dia 10. Caxias é umas das poucas cidades que atingiu a meta. Nós perdemos nos últimos três meses R$ 32 milhões em ICMS. As pessoas ficam preocupadas com os royalties, a questão não é royalties. Quando as empresas pararam de contratar, a incidência do imposto diminuiu, então o problema é que as operações eram feitas com o barril a cem dólares e hoje são feitas a sessenta. O preço do barril de petróleo dita a economia do Rio de Janeiro. A questão não é royalties, é unidade de barril de petróleo.Tem um georeferenciamento mostrando, esse é um dado muito importante, 70% dos galpões da cidade com mais de 300 metros estão com lançamento da metragem inferior. O que agente está fazendo? Pedindo ao empresário que gosta da cidade que meça o seu galpão e veja se o IPTU que ele paga é o correto, e todo aquele que fizer isso não vai ser multado, desde que pague o que deve. O que não fizer vai ter que pagar o que deve mais 1000% de multa. Todo mundo fala de desvio, de roubo, mas só que uma pessoa que tem que pagar R$ 10.000 de imposto e paga R$ 3.000, desvia da mesma forma. O que agente está pedindo é para o empresário entender essa nova Caxias. É uma campanha que vai ser lançada, que é medir, pagar e ganhar, É o cara medir o galpão. Ele paga e ganha o benefício.
O atendimento em saúde para o munícipe está sendo prejudicado pelo alto índice de pacientes de outros municípios? Como o Sr pretende administrar tal problema?
As pessoas não dão mais o endereço de fora, elas chegam no Moacyr e dão endereço de Caxias. Mas tem uma questão na saúde que tem que ser colocado como mais importante. Por exemplo: um plano de saúde custa mais de R$ 350 por pessoa, e não estamos falando de plano “top", um plano comum. Nenhum estado ou município pode gastar mais de R$ 40 por habitante. Nós estamos gastando mais, R$ 50, então como você consegue comparar quem gasta sete vezes mais com quem gasta sete vezes menos? Esse é um debate que tem que ser aprofundado. Eu acho que Caxias está no caminho certo quando investe na prevenção, no programa de saúde da família, mas eu não tenho dúvida de que quando você tem uma diferença dessas, algo tem que ser discutido na esfera estadual e federal.
E sobre as demissões na saúde?
O Tribunal de Contas determinou que se diminuísse o custeio. Se estou gastando muito, tenho que diminuir. E a forma é fazer o que o mercado manda. Por exemplo, o Mário Lioni é 12x36 (horas trabalhadas x folga), o estado é 12x36, o Samaritano é 12x36, o Albert Schweitzer é 12x36 e Caxias é 12x60, sem nenhuma justificativa.
Em 2014, grandes empresas de segmentos diversos se estabeleceram aqui. Como a prefeitura irá incentivar a vinda de novas empresas em 2015?
Nós temos uma série de investimentos acabando e começando, por exemplo, a GLP, são U$ 500 milhões, começa a obra agora. A Bunge termina em 2016, tem hoje mais de quarenta empresas, como a Rolls Royce, que começa a produzir em março. A motivação é que vai ser uma cidade que a gente vai cobrar das operadoras melhor serviço de telefonia e internet. Queremos melhorar a malha rodoviária, a estrutura de saúde, a estrutura de educação e fazer disso um “case" para que o empresário saiba que seu funcionário vai ser uma pessoa feliz. A gente quer incentivar a área de lazer da cidade como elemento importante para o trabalhador gostar de ficar aqui. Você chega hoje no Centenário e no Corte Oito, já é uma outra cidade. Vai ali no Arnão, já tem outra estrutura de lazer, a recuperação das praças. Agora, o que eu quero mostrar é que em dois anos essa cidade tem projeto, tem planejamento, tem uma nova cara.
E sobre a formação da mão de obra?
A Fundec tem um papel fundamental nisso, só tem que ela foi muito desqualificada, é uma fundação que não tinha a qualificação em formar, e hoje o que nós vamos fazer na Fundec é essa experiência que a gente teve na Faetec, de fazer os CVTs. Veja o polo que está sendo feito no Laureano, vai ser uma referência em parcerias com os empresários.
Sobre a reeleição da presidente Dilma e do governador Pezão, como ficará a relação de Duque de Caxias com os governos Federal e Estadual?
Eu acho que não há gestão técnica que não tenha gestão política. A cidade que eu nasci, moro e vivo, acertou na política, você vê o carinho que a Dilma e o Pezão tem por Caxias, não podia ser um cidade submissa à capital, eu gosto muito do Eduardo Paes, mas os ex-prefeitos de Caxias tinham uma relação de medo, de subserviência com a capital. Nossa cidade não pode ser subserviente ao Rio. O Rio jogava o lixo aqui, levava a água da Baixada. Temos que ter uma cidade de tecnologia, de lazer, um polo de Universidade Federal de qualidade. Caxias tem que ser um exemplo no ensino superior e em tecnologia, exemplo na parceria e principalmente na questão ambiental. É a questão da ética, da transparência, pessoas ganhando R$ 60 mil e o gari não receber seus salários.
Comenta-se no meio político que o Sr não teria aceitado um convite da presidente Dilma para ocupar um ministério. O que de fato aconteceu?
Essa questão de ministério não tem que ser tratada individualmente, a presidenta da República tem que falar. Eu gosto da presidenta, mas acho que da mesma forma que eu escolhi meus secretários, ela escolhe os seus ministros. Eu tenho o compromisso de ser prefeito da minha cidade, de continuar a gestão que estou fazendo e sendo amigo de diversos ministros, de relação pessoal, principalmente de respeito.
O que o sr espera de 2015 para de Duque de Caxias?
Todo mundo está acompanhando essa questão do petróleo no estado e acha que a corrupção é o que derrubou o preço do barril de petróleo. É não entender de mercado. O preço do barril de petróleo caiu muito, e isso é que interfere em toda a gestão. Se nós não tivéssemos tomado as medidas que tomamos, será que Caxias estaria em dia com os fornecedores e servidores? Então isso é uma prova de que estamos no caminho certo. A outra questão é que a cidade tem que ter planejamento para a saúde da família e infraestrutura das escolas, planejamento na arrecadação. Você pode aceitar que o último fiscal admitido em Caxias foi há 28 anos e que nunca houve concurso para fiscal tributário?
Vitórias e derrotas em 2014?
Eu acho que a principal vitória foi o acerto na política, a vitória da Dilma e do Pezão. Como fiz na campanha dizendo da parceria do governo estadual e federal. O Pezão teve um resultado no primeiro distrito fantástico. Eu acho que derrota é a forma com que a Petrobras foi tratada, todo brasileiro se sentiu derrotado e é bom dizer que a crise do petróleo não é por causa da Petrobras, a crise do petróleo alavancou a crise da Petrobras, então eu acho que a derrota foi a gestão inaceitável que a Petrobras teve.
Um balanço pessoal sobre Duque de Caxias
Eu acho que a cidade voltou a ser a locomotiva da Baixada, voltou a crescer, voltou a ser o exemplo na saúde, na educação, um exemplo de gestão. Ela recuperou a sua função de nortear a Baixada Fluminense. Vai ter concurso para professor e para fiscal, quer dizer, quantas prefeituras na Baixada estão fazendo concurso de fiscal de meio ambiente, fiscal de obra, fiscal de postura, de professor? Quem no Grande Rio está se preocupando com essa gestão? Duque de Caxias, certamente.


