A Petrobras informou que a renúncia da presidenta da companhia, Graça Foster, e de cinco diretores da empresa, anunciada ontem (4), valerá a partir desta sexta-feira (6), dia em que o Conselho de Administração vai se reunir para eleger os novos membros. A informação foi transmitida à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na noite de ontem para esclarecimento sobre mudanças na administração. O comunicado diz ainda que, além de Graça Foster, renunciaram o diretor Financeiro e de Relacionamento com Investidores, Almir Guilherme Barbassa; o diretor de Exploração e Produção, José Miranda Formigli; o diretor de Abastecimento, José Carlos Cosenza; o diretor de Gás e Energia, José Alcides Santoro; e o diretor de Engenharia, Tecnologia e Materiais, José Antônio de Figueiredo.
O comunicado foi assinado pelo diretor Almir Barbassa. A diretoria da Petrobras permanece com o ex-presidente da companhia de 2003 a 2005, José Eduardo Dutra, indicado para a diretoria Corporativa e de Serviços em 2012; e com o diretor de Governança, Risco e Conformidade, João Adalberto Elek Júnior, que tomou posse no dia 19 de janeiro de 2015. Os dois não estão incluídos na renúncia.
O Conselho de Administração da Petrobras tem na presidência o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, que foi eleito pelo governo acionista controlador. Também participam do órgão os conselheiros eleitos pelo governo federal: Graça Foster, Luciano Galvão Coutinho, Francisco Roberto de Albuquerque, Márcio Pereira Zimmermann, Sérgio Franklin Quintella e a ex-ministra do Planejamento Miriam Belchior. Pelos acionistas preferencialistas, foi eleito conselheiro José Guimarães Monforte; pelos minoritários, Mauro Gentile Rodrigues da Cunha, e pelos empregados, Sílvio Sinedino Pinheiro.
DECISÃO - Eleita a quarta mulher mais poderosa do mundo em fevereiro do ano passado pela revista Fortune, em uma lista de 50 mulheres de negócios, a ex-presidente da Petrobra, Maria das Graças Foster nasceu em Caratinga, Minas Gerais, em 26 de agosto de 1953. Eleita em fevereiro de 2012 para a presidência da estatal, Graça Foster tem mais de 30 anos de experiência na empresa. Era membro do Conselho de Administração e acumulava a Diretoria da Área de Negócio Internacional da companhia. Antes de tomar posse, atuou como diretora da Área de Gás e Energia e presidiu a Petrobras Gás (Gaspetro) e a Petrobras Química (Petroquisa). Também foi presidenta e diretora financeira da Petrobras Distribuidora (BR).
Até renunciar ao cargo, na manhã de hoje (4), Graça Foster também presidia os conselhos de Administração da Petrobras Transporte (Transpetro) e da Gaspetro e do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP). É membro ainda dos conselhos de Administração da BR Distribuidora e da Petrobras Biocombustível. Ela exerceu também a função de secretária de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia. Formada em engenharia química pela Universidade Federal Fluminense em 1978, mestre em engenharia de fluidos e pós-graduada em engenharia nuclear pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Graça Foster cursou MBA pela Fundação Getulio Vargas.
Graça deixa a presidência da maior empresa de energia da América Latina em meio a denúncias de corrupção e superfaturamento, decorrentes da Operação Lava Jato, que foi desencadeada pelo Ministério Público no Paraná e pela Polícia Federal e já levou à prisão diversos diretores da estatal, além de executivos das principais empreiteiras do país. Ela renunciou ao cargo após a divulgação, com atraso, do balanço financeiro da Petrobras relativo ao terceiro trimestre do ano passado, que estimou em R$ 88 bilhões os prejuízos causados pelo esquema de corrupção.
Graça Foster assumiu o comando da maior empresa do país com a missão de dar prosseguimento ao ritmo de crescimento da estatal e desenvolver os campos de petróleo do pré-sal, na Bacia de Santos. A Petrobras também trocará o comando de cinco diretorias, mas os nomes ainda não foram confirmados pela estatal.


