O Departamento de Justiça dos Estados Unidos, o FBI (Polícia Federal norte-americana) e do Internal Revenue Service (IRS), uma espécie de Receita Federal norte-americana, afirmaram quarta-feira (27) que as investigações sobre a Federação Internacional de Futebol (FIFA) estão só começando e que o objetivo é acabar com a “corrupção sistêmica" que atinge a entidade internacional. Na entrevista coletiva, a procuradora-geral dos Estados Unidos, Loretta Lynch, os diretores do IRS, Richard Weber, e do FBI, James Comey, apresentaram detalhes sobre a investigação de esquema de corrupção, extorsão e lavagem de dinheiro em um período de quase 24 anos. Pelo menos US$ 150 milhões foram usados nas transações investigadas.
A procuradora Lynch comparou a Fifa a organizações de família da máfia e cartéis de drogas. "Os esquemas envolvem altos executivos, outras agências e milhões de dólares que foram usados para o pagamento de propinas", disse. Segunda ela, o suborno foi amplamente usado em todas as esferas da organização. “Esses indivíduos e organizações eram envolvidas em suborno para decidir quem iria transmitir jogos e onde seriam os jogos em nível mundial desde 1991", observou.
De acordo com o FBI, pelo menos duas gerações de dirigentes de futebol usaram as suas posições para solicitar subornos de empresas esportivas por trocas de direitos comerciais sobre torneios. “Isso foi feito ano após ano". Lynch detalhou que a próxima etapa do processo será pedir a extradição dos acusados aos Estados Unidos, para que sejam julgados. "Eles corromperam os negócios do futebol mundial para servir os seus interesses e para se enriquecerem pessoalmente", acusou.
As autoridades suíças revelaram ter instaurado uma investigação sobre a escolha das sedes dos mundiais de 2018 e 2022, Rússia e o Catar, respectivamente. (Agência Brasil)
CPI da CBF é oficialmente criada no Senado a pedido de Romário
Foi oficialmente criada sexta-feira (29) a Comissão Parlamentar de Inquérito que vai investigar a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e o comitê organizador local da Copa do Mundo Fifa 2014. Segundo a Secretária-geral da Mesa do Senado, as 53 assinaturas reunidas pelo senador Romário (PSB-RJ) foram mantidas. O início dos trabalhos, no entanto, ainda leva alguns dias. Respeitando a proporcionalidade das bancadas e dos partidos no Senado, os líderes partidários terão cinco dias para indicar os parlamentares que integrarão o colegiado e só depois disso é marcada uma reunião de instalação da comissão. Nela, serão eleitos presidente, vice-presidente e relator da CPI.
A CPI da CBF será a sexta em funcionamento no Senado, terá sete membros titulares e 180 dias para investigar possíveis irregularidades em contratos feitos para a realização de partidas da Seleção Brasileira de futebol, de campeonatos organizados pela CBF, assim como para a realização da Copa das Confederações em 2013 e da Copa do Mundo de 2014.
O senador Romário, que é ex-jogador de futebol, falou na tribuna sobre as expectativas em relação ao trabalho da comissão. “Acredito que, com essa possibilidade dessa CPI nesta Casa, a gente possa realmente fazer um trabalho sério, corajoso e honesto, e que o resultado seja um só: que definitivamente o futebol brasileiro seja moralizado. Na verdade, dois resultados: que todos aqueles que praticaram crime durante esses anos todos e se enriqueceram ilicitamente paguem pelos seus crimes, principalmente sendo presos". Romário disse ainda que esse é o momento oportuno para uma devassa na CBF. Ele acrescentou ainda que as investigações do FBI apontam indícios de que parte das propinas pagas pelo ex-presidente da CBF José Maria Marin foram compartilhadas por outro ex-presidente da entidade Ricardo Teixeira e pelo atual presidente, Marco Polo Del Nero.
O pedido de criação da CPI foi apresentado por Romário depois que Marin e outros seis dirigentes da Fifa foram detidos na última quarta-feira (27) pelo serviço de inteligência norte-americano (FBI) e pela polícia suíça em Zurique por suspeita de corrupção. Entre outras irregularidades, Marin teria recebido propina em um esquema de corrupção envolvendo a organização da Copa América. (ABr)
PF abre inquérito para investigar corrupção no futebol brasileiro
A Polícia Federal (PF) abriu inquérito para saber se o esquema de corrupção na Federação Internacional de Futebol (Fifa), investigado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, tem ramificação no Brasil. De acordo com o Ministério da Justiça, as investigações serão centralizadas na Superintendência da PF no Rio de Janeiro.
As autoridades norte-americanas investigam a participação de dirigentes da Fifa e empresários em uma fraude na escolha dos países-sede das duas próximas copas do Mundo (Rússia, em 2018, e Catar, em 2022). No Brasil, as suspeitas recaem sobre contratos de patrocínio e de transmissão da Copa do Brasil assinados pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
A CBF anunciou, em nota, o afastamento de Marin até a conclusão do processo. A entidade também informou que vai "reanalisar todos os contratos ainda vigentes e remanescentes de períodos anteriores". Hoje, o prédio da sede da CBF, na Barra da Tijuca no Rio, batizado com o nome de Marin na fachada, amanheceu sem o nome do dirigente na fachada. (ABr)
Receita cobrou mais de R$ 4 bilhões de envolvidos em fraudes
A Receita Federal informou sexta-feira (29), por meio de nota, que desde 2002 investiga fraudes ligadas ao futebol. Segundo o comunicado, o Fisco identificou e autuou pessoas físicas e empresas que mantêm relações comerciais com entidades responsáveis pela organização do esporte no país, de âmbito nacional ou regional. A revelação foi feita dois dias após a Justiça americana determinar prisões de dirigentes da Federação Internacional de Futebol (Fifa) envolvidos em um grande esquema de corrupção. Entre os detidos está o vice-presidente da Confederação Brasileira do Futebol (CBF), José Maria Marin, que foi afastado do cargo.
- Foram realizadas três operações especiais de fiscalização desde 2002, onde foram investigadas 96 pessoas físicas e jurídicas. Essas auditorias resultaram em cobrança de tributos, multas e juros no valor de R$ 4,47 bilhões - diz a nota. A Receita destacou que algumas pessoas citadas na recente operação promovida no âmbito do Poder Judiciário dos Estados Unidos estão na lista de autuações aplicadas no Brasil. O Fisco diz que, em função do sigilo fiscal, não pode informar os nomes dos envolvidos.
A Receita Federal brasileira entrou em contato com a americana, para conhecer a operação promovida contra pessoas ligadas à Fifa, que incluiu vários brasileiros. (ABr)


