Maricá aposta no audiovisual para gerar renda, empregos e atrair produções nacionais
- jun 09, 2026
Programa Filmar Maricá 2026 vai injetar R$ 20 milhões no setor e exige contratação mínima de 30% de mão de obra e fornecedores locais.
A Prefeitura de Maricá, por meio da Companhia de Cultura e Turismo de Maricá (MARÉ), prepara o lançamento oficial dos editais do Filmar Maricá 2026, o novo programa municipal de fomento à indústria cinematográfica e televisiva. A iniciativa prevê um investimento recorde de R$ 20 milhões distribuídos em dois editais inéditos, focados no desenvolvimento de projetos e na produção audiovisual de grande porte.
Antes da abertura definitiva das inscrições, os textos dos editais serão submetidos a uma consulta pública. Nessa etapa, profissionais, produtoras independentes, agentes culturais e demais interessados poderão apresentar sugestões e contribuições para o aprimoramento das regras. A previsão da autarquia é que o período de inscrições comece imediatamente após essa fase de escuta social.
O presidente da MARÉ, Antônio Grassi, destacou que o programa foi estruturado de forma estratégica para consolidar o audiovisual como uma cadeia produtiva robusta e um vetor de aceleração econômica para o município.
“O audiovisual não proporciona apenas bons filmes, séries e documentários, também promove desenvolvimento nas cidades onde se instala. Uma produção movimenta muita gente, envolve comércio, serviços, mão de obra, fornecedores e locações. É uma indústria criativa muito poderosa, e é nesse caminho que Maricá está trabalhando”, afirmou Grassi.
Como serão divididos os R$ 20 milhões do fomento
Os recursos do programa municipal serão segmentados em duas linhas de atuação bem definidas para contemplar diferentes fases da produção artística e comercial:
1. Edital de Desenvolvimento (R$ 3 milhões)
Vai contemplar 15 projetos, com um aporte de R$ 200 mil para cada proposta selecionada. Esta categoria é voltada às etapas embrionárias do audiovisual: criação, pesquisa de campo, escrita de roteiro, desenvolvimento de argumentos e pré-seleção de locações. A exigência é que os roteiros de longas-metragens, séries de ficção, documentários ou animações tenham relação direta com o município.
“O edital de desenvolvimento é focado diretamente na construção de roteiros, projetos, histórias e locações que se passem em Maricá. Queremos estimular novas narrativas sobre a cidade, seus territórios, personagens e identidades”, explicou o presidente da MARÉ.
2. Edital de Produção (R$ 17 milhões)
Destinado a tirar os projetos do papel e ligar as câmeras, esta linha vai selecionar 9 projetos, com repasses significativos que variam entre R$ 1,125 milhão e R$ 2,5 milhões por proposta. A chamada financiará a execução completa de longas-metragens, documentários, séries e animações. Para receber a verba, as histórias devem se passar majoritariamente em Maricá, com parte expressiva das filmagens rodada nas locações da cidade.
Injeção na economia: exigência de 30% de trabalhadores locais
Um dos pilares mais importantes do Filmar Maricá 2026 é a contrapartida econômica exigida das produtoras beneficiadas. Os projetos apoiados serão obrigados a contratar, no mínimo, 30% de mão de obra local. A regra garante o efeito multiplicador do dinheiro público na economia maricaense, gerando postos de trabalho diretos para técnicos, eletricistas, cenógrafos, figurinistas, atores e figurantes regionais.
Além dos profissionais do set, o impacto atinge diretamente o comércio local, aquecendo os setores de hotelaria, transporte, alimentação, segurança e fornecedores de insumos em geral.
“Quando uma produção vem para Maricá, ela precisa gerar retorno para a cidade. Por isso, os editais estabelecem a contratação mínima de 30% de mão de obra local. Isso cria oportunidades para profissionais daqui e estimula parcerias entre produtoras de fora e a cadeia produtiva local”, ressaltou Antônio Grassi.
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Reserva de vagas para produtoras da cidade
O programa também incluiu travas de proteção para fortalecer o ecossistema empresarial local. No Edital de Desenvolvimento, há a garantia de seleção de, pelo menos, cinco propostas de produtoras sediadas em Maricá. Já no Edital de Produção, a reserva mínima será de duas propostas locais — em ambos os casos, condicionadas ao cumprimento dos critérios técnicos de habilitação.
Capacitação técnica e inclusão social
Indo além do financiamento bancário, o Filmar Maricá trará workshops e oficinas presenciais gratuitas de elaboração de projetos e captação de recursos no município. O objetivo é nivelar o mercado e dar condições para que os artistas locais saibam formatar suas propostas de acordo com as exigências dos editais públicos.
O programa também adota políticas afirmativas de diversidade e inclusão. Mecanismos de pontuação e cotas vão incentivar e priorizar projetos liderados por mulheres, pessoas negras, indígenas, pessoas trans, idosos e pessoas com deficiência (PCDs).
Com esse pacote completo, Maricá planeja se consolidar definitivamente no mapa do cinema nacional. “Queremos que Maricá se torne um polo importante para a indústria do audiovisual no Brasil. Além de gerar emprego e renda, essas produções ajudam a projetar a imagem da cidade. Quando um território aparece em uma série, em um filme ou em um documentário, ele passa a circular para outros públicos e mercados”, concluiu Grassi.



