Câmara não tem votos para aprovar o impeachment da presidenta Dilma, diz o Datafolha
- abr 08, 2016
Levantamento feito pelo Datafolha entre os dias 21 de março e 7 de abril com parlamentares, aponta que, embora 60% deles terem dito que darão votos favoráveis ao impedimento de Dilma Rousseff; o número não é suficiente para que se aprove o processo: o impeachment da presidente teria hoje 308 votos - 34 a menos que os 342 necessários (67% da Câmara) para que a ação seja levada ao Senado.
Do outro lado, 21% dos deputados são contra o processo - seriam 108 parlamentares a favor do mandato da presidente. Para permanecer no cargo, a presidente precisa que 172 parlamentares não votem pelo impedimento. O cenário atual de encaminhamento do caso ao Senado depende dos 18% dos deputados que estão indecisos ou não declararam a posição (o 1% que falta para os 100% deve-se à aproximação).
Sobre a situação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), 61% dos deputados disseram que defendem sua renúncia (23%, que ele deveria permanecer no cargo). O mesmo percentual declarou que votaria, no plenário, pela cassação de seu mandato. Em relação às pesquisas anteriores houve uma evolução no número de deputados federais a favor do impeachment da presidenta (de 42% em dezembro para 60% em março e abril). Também se registrou recuo entre os contrários ao processo (eram 31% em dezembro, ante 21% hoje) e entre os indecisos (de 27% para 18%).
Desde a criação de um colegiado para analisar o pedido na Câmara, em 17 de março, o governo vivenciou a saída do PMDB de sua base – partido que tem o vice Michel Temer - e iniciou uma estratégia de ampliar a participação no governo de outros partidos aliados como PP, PR, PSD e PTN, para tentar obter votos a seu favor na Casa. Nesta semana, a comissão apresentou parecer favorável ao processo, relatado por Jovair Arantes (PTB-GO). Na segunda-feira (11), o texto deve ser votado no órgão e, em seguida, apreciado pelo plenário. Se aprovado, o processo será encaminhado para o Senado, onde maioria simples define o acolhimento ou não da denúncia; em caso positivo, Dilma é afastada por 180 dias da Presidência até a definição do caso.
A pesquisa do Datafolha mostra também que a situação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), não é confortável. Entre os deputados, 61% disseram que defendem sua renúncia (23%, que ele deveria permanecer no cargo). O mesmo percentual declarou que votaria, no plenário, pela cassação de seu mandato, caso o processo chegue a esse estágio –ele ainda corre no Conselho de Ética. Cunha é acusado por delatores da Lava Jato de receber propinas do petrolão e de ter mentido, em depoimento à CPI da Petrobras, sobre contas na Suíça.
Segundo o Datafolha, na pesquisa, cada parlamentar foi contatado diretamente, por telefone, e informado de que as informações coletadas seriam confidenciais e haveria garantia de anonimato das respostas. Segundo ele, Todos os 513 deputados e 81 senadores que compõem o Congresso Nacional foram contatados pelo Datafolha por telefone. Foram ouvidos 291 deputados e 68 senadores, e os resultados foram ponderados segundo as bancadas dos partidos, com o pressuposto de que a filiação é uma variável importante na definição do voto. Os que não aceitaram participar ou não responderam, somados aos que participaram, mas não se posicionaram em determinadas questões, formam um grupo suficientemente grande para, eventualmente, alterar tendências dos resultados.
A presidenta Dilma Rousseff vem recebendo apoio de vários segmentos. A última aconteceu no Palácio do Planalto nesta quinta-feira (dia 8), quando ela recebeu mulheres representantes de movimentos sociais e sindicais (foto).
Duque de Caxias faz nova manifestação em defesa da democracia
Representantes de vários sindicatos, partidos políticos e lideranças comunitárias participaram de uma nova manifestação em defesa da presidenta Dilma Roussef. O evento, convocado pela Frente Brasil Popular Baixada Fluminense, aconteceu no início da noite desta quinta-feira (7), na Praça da Emancipação (Praça do Relógio). Três caminhões de som fizeram parte da estrutura do evento e vários oradores discursaram condenando o pedido de impeachment da presidenta em andamento na Câmara dos Deputados. O ato defendia também a manutenção dos direitos sociais implantados na gestões de Lula e Dilma. Alguns veículos que passavam pela Avenida Governador Leonel Brizola buzinavam em apoio à manifestação, que contou com a participação de artistas locais como os cantores Beto Gaspari e Cintia.
“Não vai ter golpe", “Pode gemer, pode gritar, a Dilma fica e o Lula vai voltar" e “Globo golpista", eram os principais gritos de ordem ouvidos em vários momentos do evento. Muitos oradores denunciaram o apoio da emissora de televisão ao “golpe" e pediram boicote da população aos seus patrocinadores, destacando marcas como Banco do Brasil, Crefisa, Tim, Havaianas, Cacau Show, Natura, supermercados Extra, McDonalds, Vivo, Seara e Unimed, entre inúmeras outras. Esse boicote já faz parte de uma grande campanha desencadeada nas redes sociais, assim como ocorre também contra a emissora. A emissora foi ainda alvo de críticas através de cartazes e panfletos. Um banner exibia os dizeres: “O povo não é bobo. Abaixo a rede Globo", mostrando a logo da emissora cuspindo dejetos". Entre os panfletos, se destacavam os seguintes: “Desliga a Globo que o Brasil melhora" e “Anunciou na Globo, não compro".


