A Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) informou segunda-feira (28) que o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) recebeu apenas quatro visitas durante os primeiros onze dias de prisão em Bangu. Na terça-feira (22), recebeu a visita da mulher Adriana Ancelmo. Na quinta (24), foi a vez de um de seus filhos, o deputado federal Marco Antônio Cabral, junto com o deputado estadual Paulo Melo, ambos também do PMDB, além da deputada estadual Cidinha Campos (PDT). Já no último sábado (26), Sérgio Cabral foi visitado pelo deputado federal e prefeito eleito de Duque de Caxias, Washington Reis, do mesmo partido.
- Estive com ele porque estou com Cabral desde o começo da minha vida política. É nessas horas que vemos quem são os amigos. O leito de morte e a prisão são os dois momentos mais difíceis da vida de um homem. Eu fiz um culto com ele, para trazer paz neste momento - afirmou Washington Reis à coluna de Lauro Jardim, de “O Globo", nesta terça-feira (29). O colunista acrescenta que foi uma visita de “solidariedade" e que Washington, que é evangélico, fez uma oração com o ex-governador.
Cabral tem se queixado da falta de visitas de aliados. O ex-governador, sempre de camisa branca, calção azul e sandálias havaianas, tem recebido suas visitas no parlatório do complexo, onde há uma mesa e quatro cadeiras. Ele está preso na cadeia pública José Frederico Marques, em Bangu 8, no complexo penitenciário de Bangu, desde a noite do último dia 16, onde divide uma cela na ala F-6 com outros cinco presos da Operação Calicute – os operadores Carlos Emanuel Miranda, o Carlinhos, e José Orlando Rabelo; o ex-secretário de Obras Hudson Braga; Luiz Paulo Reis, apontado como laranja de Braga; e o ex-assessor Paulo Fernando Magalhães. Todos tiveram os cabelos cortados.
Cabral é acusado de receber milhões em propina para fechar contratos públicos. O prejuízo é estimado em mais de R$ 220 milhões.
PENTE-FINO - A Receita Federal começou uma operação pente-fino nas contas das duas empresas que venderam joias em dinheiro vivo ao ex-governador - a H. Stern e Antonio Bernardo. Das 131 joias compradas nas joalherias, 40 foram apreendidas na casa do ex-governador e 11 na casa de seu assessor Carlos Miranda. Ou seja, 80 joias ainda não foram encontradas. Agora, os investigadores estão cruzando informações para descobrir se as joalherias apenas sonegaram impostos ou foram coniventes com o esquema.
O valor total das joias compradas por Sérgio Cabral, a mulher Adriana Ancelmo e o assessor Carlos Miranda somam quase R$ 7 milhões. Segundo Vera Lúcia Guerra, gerente de uma das unidades da Antonio Bernardo, em depoimento ao Ministério Público Federal, disse que a empresa criou um sistema de contabilidade paralelo para que Cabral e Adriana efetuassem suas compras.


