Delações da Odebrecht elevam
termômetro político em Brasília
Herdeiro de uma das maiores e mais conhecidas empreiteiras do país, Marcelo Odebrecht confirmou à Lava Jato parte da delação do ex-executivo Cláudio Melo Filho, que afirmou que houve pagamento de R$ 10 milhões ao PMDB feito a pedido do presidente Michel Temer Marcelo respaldou o episódio do jantar no Palácio do Jaburu, em maio de 2014, com a presença de Temer, então vice-presidente, e do hoje ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, no qual, segundo os delatores, foi acertado o pagamento para o peemedebista. Marcelo, que fechou acordo de delação premiada, começou seu depoimento na segunda-feira (12) e estendeu-se até esta quarta (14). As informações são da Folha de S.Paulo.
A Delação pode ter efeito devastador. Se for validado legalmente pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, o documento de dezenas de páginas traz informações que comprometem cúpulas do Planalto, da Câmara e do Senado. O delator Cláudio Melo Filho já apresentou, inclusive, provas da propina encaminhada a Temer, incluindo um email de Marcelo Odebrecht (MO) para comprovar que os R$ 10 milhões pedidos por Temer à empreiteira no Jaburu foram propina. Na mensagem, Marcelo diz ter feito o pagamento a MT [Michel Temer] depois de "muito choro" e afirmou que este seria o último pagamento ao time dele. Os recursos foram divididos com Eliseu Padilha, chefe da Casa Civil, José Yunes, amigo e parceiro de Temer, e também Eduardo Cunha, que, nas perguntas que tentou enviar a Temer, mas que foram barradas por Sergio Moro, o questionou sobre essa doação.
Marcelo não deu detalhes sobre a operacionalização do dinheiro que, de acordo com Melo Filho, foi feita por Padilha. Segundo o ex-executivo, o hoje ministro do governo pediu que parte dos recursos fosse entregue no escritório de José Yunes, assessor e amigo de Temer, em São Paulo. Temer, Padilha e Yunes negam ter praticado qualquer tipo de irregularidade e a empreiteira não se manifesta sobre o teor dos acordos.
Após a conclusão dos depoimentos, o ministro Teori Zavascki, decide sobre a homologação dos acordos. Além de Marcelo Odebrecht, outros 76 executivos e ex-executivos fecharam acordos com o ministério público federal no âmbito da operação lava jato. Cada um assinou um termo.
Assessor de Temer citado é o primeiro a pedir demissão
Após ser mencionado em acordo de delação premiada de ex-dirigente da Odebrecht, o assessor especial da Presidência José Yunes entregou nesta quarta-feira (14) uma carta pedindo demissão do cargo, informou a Secretaria de Imprensa do Palácio do Planalto. Yunes trabalhava diretamente com o presidente Michel Temer, de quem é amigo.
Nos termos de confidencialidade - espécie de pré-delação que antecede a assinatura do acordo de colaboração premiada com a Procuradoria Geral da República (PGR) -, o ex-vice-presidente de Relações Institucionais do Grupo Odebrecht Cláudo Melo Filho afirmou que a empreiteira entregou R$ 4 milhões no escritório de Yunes, em São Paulo.
Ainda de acordo com o delator, o dinheiro era destinado ao atual chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha. Melo contou aos procuradores da República que o repasse era parte de R$ 10 milhões solicitados por Temer ao então presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, em um jantar no Palácio do Jaburu, residência oficial da Vice-Presidência.
Reforço de 100 procuradores
A Procuradoria Geral da República escalou 100 procuradores para ouvir os depoimentos de 77 executivos e ex-executivos da Odebrecht que assinaram acordo de colaboração premiada com a Operação Lava Jato. Essa é considerada a maior delação premiada já fechada no mundo - sendo que a empresa se comprometeu a pagar em multa e indenização R$6,7 bilhões, desembolsados ao longo de 20 anos.
O acordo ainda é tido com o mais explosivo envolvendo o esquema de corrupção da Petrobras, atingindo em cheio o presidente Michel Temer e seu núcleo duro, além de mais de 10 governadores, 100 deputados e mais de 20 senadores, entre governistas e oposicionistas. Para a tomada dos depoimentos, os procuradores vão atuar em duplas e as falas ocorrerão em vários Estados. A empresa deve custear a maior parte dos deslocamentos dos delatores, o que deve representar uma economia para os cofres públicos. Os delatores da Odebrecht começaram a ser ouvidos e ao longo dos dias falarão outros nomes da empresa, além de Marcelo Odebrecht e seu pai Emílio Odebrecht.
Na última semana, a PGR fechou o cronograma de todos os depoimentos. Também foram tomados dois depoimentos pontuais fora da capital federal. A expectativa é de que a fase dos depoimentos possa levar um mês, mas os investigadores correm para acelerar o ritmo.
Temer pede urgência nas investigações
O presidente Michel Temer enviou segunda-feira (12), um requerimento ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pedindo celeridade na conclusão das investigações e das homologações das colaborações premiadas de funcionários e ex-funcionários da empreiteira. Argumentando que o país passa por “séries crises econômica e política", o presidente criticou o vazamento de delações e disse que as medidas de ajuste fiscal conduzidas pelo governo vêm “sofrendo interferência pela ilegítima divulgação" de depoimentos de delatores. Segundo ele, enquanto as delações não forem completadas e homologadas, o país vai continuar num “clima de desconfiança geradora de incerteza".
O requerimento, assinado pelo próprio Temer, foi enviado a Janot e encaminhado por meio da Advogada-Geral da União, Grace Mendonça. Após citar iniciativas do governo para a retomada do crescimento econômico como a proposta que limita os gastos públicos e a reforma da Previdência, Temer escreve que elas são “indispensáveis" para resolver a “situação fática" pela qual passa o país, que tem trazido “prejuízos à União e a toda a população brasileira".


