O Ministério Público do Rio de Janeiro vai apurar irregularidades nas visitas que o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) recebeu no presídio de Bangu 8, na Zona Oeste do Rio, de acordo com reportagem da “GloboNews", que obteve documento através da lei de acesso à informação. Segundo a emissora, o pedido foi feito no dia 31 de janeiro. Por lei, a resposta deveria sair em no máximo 30 dias, mas só vinte e dois dias depois do prazo final, a relação de nomes foi enviada.
O MP quer instaurar um procedimento de análise de fatos, com base em um documento da Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (Seap) que mostra a visita de parlamentares e outros políticos em horários extraordinários.
- A regulamentação estabelece que qualquer parlamentar pode entrar no presídio para verificar uma irregularidade que faça parte do exercício do seu mandato. Agora, na medida que o parlamentar entra, alegando isso ou não, mas o seu objetivo é fazer visita a um preso provisório, há um desvio na finalidade determinada por essa resolução. E é isso que o Ministério Público vai investigar a partir dessas notícias trazidas - disse a procuradora de Justiça Patrícia Glioche.
O documento que a emissora teve acesso registrou todas as visitas que Cabral recebeu entre os dias 24 de novembro de 2016 e 4 de março último. Ao todo, foram 70 visitas, quase metade feitas pelo filho, Marco Antonio Cabral. Deputado federal pelo PMDB do Rio, Marco Antonio foi ao Complexo de Bangu 32 vezes. Em 23, ele usou a prerrogativa de parlamentar para visitar o pai. E, em 20, as visitas foram fora dos dias e horários permitidos. De acordo com o regulamento da secretaria de administração penitenciária autoridades constituídas e sob as prerrogativas da lei podem fazer visitas, desde que seja no exercício da função pública. Ou seja: a trabalho, como parlamentar.
Outros políticos também usaram a prerrogativa parlamentar para visitar Cabral na cadeia: o então deputado e agora prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis (PMDB); a deputada estadual Cidinha Campos (PDT); o deputado estadual Paulo Melo (PMDB) e o presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Jorge Picciani, também do PMDB.
Enquanto isso acontecia, familiares de outros detentos às vezes passam a noite nas filas para a visita. Após a abertura dos portões, os visitantes encaram mais de 1 km de caminhada até as penitenciárias.


