Empresários das indústrias de Itaguaí, Japeri, Mangaratiba, Mesquita, Nilópolis, Nova Iguaçu, Paracambi, Queimados e Seropédica e líderes do Executivo desses municípios se reuniram para debater o cenário econômico e os entraves legais e jurídicos para a concessão e renovação de incentivos fiscais no estado do Rio de Janeiro. “O governo de Nova Iguaçu defende a permanência dessa política, afinal, essa briga não é só dos empresários, é nossa também", destacou o prefeito Rogério Lisboa depois da apresentação “O Rio Precisa de Incentivos - Incentivar o Rio é Incentivar a Indústria", do gerente de Estudos de Infraestrutura, Riley Rodrigues, e da coordenadora Jurídica, Tributária e Fiscal do Sistema FIRJAN Priscila Sakalem. O encontro, promovido pelo Sistema FIRJAN, aconteceu no último dia 8.
Nos últimos anos, 51 municípios do interior do estado do Rio receberam incentivos fiscais. Entre 2008 e 2014, mais de 230 indústrias se instalaram nessas cidades atraídas por incentivos fiscais. Isso resultou na formação de polos industriais e em cadeias de fornecedores, comércio e serviços, que, por sua vez, trouxeram novos investimentos e, consequentemente, nítido crescimento para o interior do estado. A arrecadação de ICMS mais que dobrou nessas cidades e estimularam a criação de quase 100 mil novos empregos. Só em Queimados, por exemplo, essa política levou à criação de mais 6.459 postos de trabalho em seis anos. Com uma zona industrial diversificada, Queimados passou a arrecadar sozinho mais de R$ 127 milhões de ICMS.
PREOCUPAÇÃO - Riley Rodrigues apresentou também as “Propostas da Federação das Indústrias do Rio a partir do mapeamento da oferta de infraestrutura dos condomínios industriais", e reafirmou a necessidade dos incentivos fiscais. Prefeitos e representantes das secretarias de desenvolvimento, indústria e comércio ressaltaram a importância de novos investimentos para as cidades do interior do Rio e manifestaram preocupação com a situação financeira das prefeituras caso o quadro atual não mude. “A região acabou de perder o investimento de R$ 600 milhões da Ambev, que desistiu de Santa Cruz para se instalar em São Paulo. Se o Rio não puder conceder incentivos fiscais, as empresas vão migrar para outros estados. Desta forma, os municípios perderão arrecadação fiscal e empregos, atrasando o desenvolvimento e aumentando a violência", desabafou o prefeito de Queimados, Carlos Vilela. Ele acredita que a união dos prefeitos mostrará a força do interior e poderá provocar mudanças nas leis votadas pela Alerj, que criaram obstáculos a essa política que ajudou a atrair empresas.
Pesquisa realizada pela FIRJAN revela que o ambiente de negócios do Rio já está em total desvantagem em comparação aos outros estados. Com problemas em áreas como infraestrutura, segurança pública e potencial de mercado, o Rio de Janeiro já ocupa a 8° posição em competitividade, sendo o pior colocado no Sudeste.
- Com a falta dos incentivos, as empresas de menor porte vão fechar as portas e as maiores vão demitir ou migrar para outros estados que ofereçam maior competitividade - disse Carlos Erane de Aguiar, presidente da Representação Regional Baixada I, ressaltando que o Sistema FIRJAN tem participado ativamente em defesa das indústrias e continuará agindo pelo desenvolvimento econômico do Rio. Segundo ele, levantamento da Federação das Indústrias aponta que 89,6% preveem demissões e 52,6% encerrarão as atividades no estado. Vicente Loureiro, diretor executivo da Câmara Metropolitana de Integração Governamental, complementou: “O Rio precisa de incentivos, mas também de governo", concluiu.
Os prefeitos Rogério Lisboa (Nova Iguaçu), Carlos Vilela (Queimados), Aarão de Moura (Mangaratiba) e Anabal Barbosa (Seropédica); os vice-prefeitos Carlos Ferreira (Nova Iguaçu), Julio Gonçalves (Paracambi) e Renildo Brandão (Mangaratiba); e os secretários municipais de Desenvolvimento Luiz Roberto Jesus (Itaguaí), Luiz Barcelos (Japeri), Fernando Cid (Nova Iguaçu), Eduardo Braga (Queimados) e Celso Paula Junior (Mangaratiba) compareceram à reunião.


