COLUNA: O perigo de vencer a licitação pelo preço errado
- jan 15, 2026
A dor de assinar um contrato deficitário é sentida no dia a dia da operação
Muitas empresas entram no mundo das compras públicas com a mentalidade de que vencer a disputa é o fim da jornada, quando, na verdade, é apenas o começo. O erro mais comum, e o mais perigoso, é mergulhar em uma guerra de lances sem um cálculo rigoroso de custos, atingindo o chamado "preço inexequível". Quando o desconto é agressivo demais, o que parecia uma vitória se transforma rapidamente em um contrato impossível de ser executado, colocando em risco a saúde financeira da empresa e sua reputação perante o Estado.
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A dor de assinar um contrato deficitário é sentida no dia a dia da operação. Sem margem para imprevistos, como a flutuação de insumos ou dissídios trabalhistas, o empresário se vê sufocado por multas contratuais e pela possibilidade real de ser suspenso de licitar. O segredo para o sucesso sustentável não está em ser o mais barato a qualquer custo, mas em ser o mais eficiente. Conhecer a fundo a planilha de custos e os limites da sua operação é o que separa os amadores dos grandes fornecedores do governo.
Para o empresário que busca uma oportunidade real de crescimento, a licitação deve ser encarada como uma ferramenta estratégica de escala, e não como uma aposta de sorte. Ganhar uma licitação com consciência técnica permite que a empresa tenha fluxo de caixa previsível e segurança jurídica para investir em si mesma. O mercado público é vasto e paga em dia quem entrega o que prometeu, mas ele não perdoa quem negligencia a própria matemática em busca de um troféu de primeiro lugar que não se sustenta.
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O futuro das compras públicas no Brasil exige profissionalismo e uma visão clara de que a proposta comercial deve ser o reflexo exato da capacidade de entrega. Ao dominar a arte de precificar com inteligência e ler os editais com olhar clínico para os riscos, o licitante para de "tentar a sorte" e passa a construir um patrimônio sólido. Lembre-se: em uma licitação, o melhor negócio não é aquele que você ganha com o menor preço do mercado, mas sim aquele que você executa com excelência e coloca dinheiro no bolso ao final do mês.
Vencer o certame é o objetivo, mas sobreviver ao contrato é o resultado real. Como você tem equilibrado o arrojo do lance com a segurança da entrega? Sua dúvida pode ser o tema da nossa próxima Coluna.
Dra. Gilmara Rodrigues do Nascimento
gilmararodriguesadv@gmail.com
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