China suspende temporariamente três frigoríficos brasileiros após apontar falha sanitária
- mai 25, 2026
Embargo preventivo atinge plantas da JBS, PrimaFoods e Frialto; medida coincide com a reabilitação de outras três unidades nacionais pelo mercado chinês
A Administração Geral de Alfândegas da China suspendeu temporariamente as exportações de três frigoríficos brasileiros após identificar irregularidades sanitárias em cargas de carne bovina enviadas ao país. A medida atinge diretamente unidades das empresas JBS, PrimaFoods e Frialto, e foi confirmada oficialmente pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
O embargo tem caráter preventivo e temporário. As plantas afetadas pela decisão são:
- A unidade da JBS em Pontes e Lacerda (MT);
- A planta da PrimaFoods em Araguari (MG);
- O frigorífico da Frialto em Matupá (MT).
De acordo com a Abiec, a suspensão continuará vigente enquanto as companhias adotam protocolos internos para rastrear a origem exata das cargas e corrigir os problemas apontados pelas autoridades portuárias e sanitárias chinesas.
Presença de hormônio e impacto na produção
A Frialto detalhou a natureza da contestação asiática e informou que a fiscalização chinesa identificou a presença do hormônio sintético acetato de medroxiprogesterona em uma das cargas exportadas pela empresa.
Diante do bloqueio da planta de Matupá (MT), a companhia reduziu a produção local em 40% e passou a redirecionar o excedente de carne bovina para outros mercados internacionais consolidados, como Estados Unidos, México, União Europeia, além de nações do bloco árabe e do continente asiático.
A empresa também afirmou ter iniciado uma investigação técnica rigorosa sobre os lotes envolvidos na ocorrência e projeta a normalização das atividades comerciais com o país asiático em médio prazo. O objetivo da Frialto é garantir a retomada total das operações antes do início do ciclo de exportações da cota chinesa de 2027.
A direção da empresa pontuou que a suspensão ocorre em um momento em que o Brasil já se aproxima do limite da cota de exportação para 2026, o que naturalmente provocaria uma redução no ritmo dos embarques no segundo semestre deste ano.
Leia também: Lucro do Banco do Brasil cai 54% impactado pela crise de inadimplência no agronegócio
Leia também: Indústria nacional impulsiona inovação e transição energética
Leia também: Lucro da Caixa desaba 34% no primeiro trimestre após novas regras do Banco Central
Defesa do sistema sanitário nacional
A Abiec defendeu a qualidade da proteína brasileira e enfatizou que o Brasil possui um dos sistemas de controle sanitário mais rigorosos e consolidados do mundo, contando com o monitoramento permanente de toda a cadeia produtiva e fiscalização do Serviço de Inspeção Federal (SIF). A entidade assegurou que as cargas questionadas pela China estão sendo tratadas em estrita conformidade com os protocolos sanitários bilaterais firmados entre Brasília e Pequim.
Até o fechamento desta edição, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Embaixada da China no Brasil não haviam se manifestado publicamente sobre as suspensões.
Reabilitação de outras três plantas brasileiras
O anúncio do embargo ocorre na mesma semana em que o mercado chinês autorizou a retomada das exportações de outras três plantas brasileiras que estavam bloqueadas desde março de 2025. Na última quarta-feira (20), a China reabilitou oficialmente o comércio com as seguintes unidades:
- Unidade da JBS em Mozarlândia (GO);
- Planta da Frisa em Nanuque (MG);
- Frigorífico da Bon-Mart em Presidente Prudente (SP).
A Abiec comemorou a reabilitação destas plantas e destacou que a decisão reforça a confiança mútua das autoridades chinesas no sistema sanitário brasileiro e na qualidade do produto final. A associação ressaltou ainda a articulação diplomática e técnica do Ministério da Agricultura e Pecuária nas negociações diretas conduzidas em Pequim para restabelecer os fluxos de comércio.
Atualmente, o Brasil possui mais de 100 frigoríficos habilitados para exportar carne bovina para a China, que se mantém isolada como o principal destino internacional do produto brasileiro. (com informações da Agência Brasil)



