Uso excessivo de telas pode fazer 40% das crianças terem miopia até 2050, alerta oftalmologista
- jul 10, 2026
No Dia da Saúde Ocular, especialista e familiares alertam para os riscos do uso prolongado de celulares e tablets na infância, enquanto Lei da Alerj reforça conscientização no RJ
O uso excessivo de celulares, tablets, computadores e outros dispositivos eletrônicos tem se tornado uma preocupação crescente entre especialistas em saúde ocular. Cada vez mais presentes na rotina das crianças, as telas digitais podem contribuir diretamente para o desenvolvimento e o agravamento de diversos problemas visuais na infância.
Nesta sexta-feira (10/7), Dia da Saúde Ocular, o oftalmologista Márcio Pinto faz um alerta importante: o excesso de tempo diante das telas tem contribuído para o crescimento de diversas alterações visuais entre crianças e adolescentes.
"O uso excessivo de tela tem causado um aumento de miopia, astigmatismo, olho seco e fadiga ocular na infância. Estudos recentes mostraram que o uso excessivo de telas é um fator de risco importante para o desenvolvimento e progressão da miopia. Além disso, estima-se que até 2050, 40% das crianças terão miopia", destacou o especialista.
Sinais de alerta para os responsáveis
Segundo o médico, alguns comportamentos do dia a dia podem indicar que a criança está enfrentando dificuldades na visão. Os responsáveis devem ficar atentos a sinais como:
- Aproximar excessivamente o aparelho celular do rosto;
- Coçar frequentemente os olhos;
- Apresentar vermelhidão ocular constante;
- Dificuldade nítida para enxergar objetos distantes;
- Piscar repetidamente.
Limites de tempo e prevenção por faixa etária
De acordo com o oftalmologista, a distância ideal entre o rosto e a tela do celular deve ser de aproximadamente 40 centímetros. Além disso, o tempo máximo de exposição diária precisa variar rigorosamente conforme a faixa etária do menor.
"A recomendação é que crianças de até dois anos não tenham exposição às telas. Entre dois e cinco anos, o tempo deve ser limitado a uma hora por dia. Acima dos cinco anos, o uso deve variar entre uma e duas horas diárias, preferencialmente fracionadas em períodos de até 15 minutos", explicou o médico Márcio Pinto.
O especialista ressalta ainda que a visão infantil continua em pleno desenvolvimento durante os primeiros anos de vida, tornando o monitoramento familiar indispensável. "É necessário que os familiares limitem o uso dos celulares, tablets e computadores, estimulem as crianças a brincarem ao ar livre e mantenham consultas oftalmológicas regulares", acrescentou.
Relato real: quando o excesso afeta a rotina escolar
A mãe Bruna Souza conhece de perto os impactos que o hábito prolongado pode causar. Sua filha, Alice Souza, precisou passar a usar óculos de grau após apresentar miopia e astigmatismo devido ao hábito.
"Hoje em dia, a gente mantém uma rotina bem restrita sobre o uso de telas. Nós não tínhamos essa noção de que poderia prejudicar tanto a visão dela. Ela passava de cinco a seis horas usando telas. O meu conselho aos pais é restringir mais o uso, sempre levar ao oftalmologista, fazer exames sempre que for necessário e estar do lado, olhando e vigiando o tempo de tela, porque é muito importante", relatou a mãe.
Bruna conta que os primeiros sinais surgiram quando a filha começou a apresentar coceira constante nos olhos. "O problema visual dela hoje em dia é por excesso de tela. O médico recomenda apenas duas a três horas por dia. Onde ela vai, precisa estar com os óculos, senão tem dificuldade para enxergar", afirmou.
A pequena Alice também lembra das dificuldades que enfrentava no cotidiano antes de receber o diagnóstico e os óculos: "Eu tinha dificuldade para ler na escola, na rua e em outros lugares", contou.
Leia também: Atualização no Diagnóstico de Leucemias
Leia também: O crescimento silencioso da sífilis
Leia também: Pedras nos rins afetam até 15% dos brasileiros
Saúde ocular é pauta de lei na Alerj
A preocupação com a saúde dos olhos também está presente na legislação fluminense. Em 2023, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou a Lei Estadual nº 10.168, posteriormente sancionada pelo Governo do Estado, que instituiu oficialmente o Dia da Saúde Ocular, 10 de julho e a Semana Verde de Conscientização sobre a Saúde Ocular.
A legislação estadual possui caráter estritamente educativo e de conscientização. O objetivo é estabelecer uma política permanente de sensibilização sobre a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do amplo acesso à informação sobre doenças e hábitos que podem comprometer a qualidade da visão.
Em um cenário em que a tecnologia faz cada vez mais parte da infância, o equilíbrio entre o uso dos dispositivos, o acompanhamento médico regular e a prática de atividades ao ar livre se mostra fundamental para preservar a saúde ocular das novas gerações.



