Transações correntes apresentaram leve alta no saldo negativo mensal em comparação a 2025; no entanto, o acumulado de 12 meses mostra recuo expressivo no rombo estrutural.
As contas externas do Brasil fecharam o mês de abril com um saldo negativo de US$ 1,765 bilhão, conforme dados divulgados nesta terça-feira (26) pelo Banco Central (BC). O resultado representa um leve aumento no déficit em relação ao mesmo período de 2025, quando as transações correntes — que englobam o comércio de mercadorias, serviços e transferências de renda com o exterior — registraram saldo negativo de US$ 1,636 bilhão.
Apesar da oscilação mensal, o cenário de longo prazo aponta para uma trajetória de consolidação. No acumulado dos 12 meses encerrados em abril, o déficit das transações correntes somou US$ 64,333 bilhões, o equivalente a 2,66% do Produto Interno Bruto (PIB). O indicador revela um recuo expressivo quando comparado ao período correspondente terminado em abril de 2025, ocasião em que o rombo em 12 meses era de US$ 73,919 bilhões, ou 3,46% do PIB.
O desempenho de abril foi marcado pelo crescimento de US$ 2,8 bilhões no superávit da balança comercial de bens. Contudo, esse ganho foi neutralizado pelo avanço dos déficits em renda primária (alta de US$ 1,8 bilhão) e em serviços (alta de US$ 1 bilhão), além de uma retração de pouco mais de US$ 100 milhões no superávit de renda secundária.
Investimentos Estrangeiros e Reservas em Alta
A autoridade monetária enfatizou que a conjuntura das contas externas permanece robusta, mantendo a tendência de redução do déficit anualizada desde setembro de 2025. O principal pilar de sustentação desse balanço é a qualidade do financiamento, ancorado em capitais de longo prazo aplicados no setor produtivo.
O Investimento Direto no País (IDP) registrou uma forte aceleração em abril, atingindo a entrada líquida de US$ 8,912 bilhões, contra US$ 5,371 bilhões em igual mês de 2025. No acumulado de 12 meses até abril, o IDP saltou para US$ 79,201 bilhões (3,28% do PIB), superando os US$ 75,660 bilhões (3,18% do PIB) do mês anterior e os US$ 72,691 bilhões (3,40% do PIB) de abril do ano passado.
No mercado financeiro doméstico, os investimentos em carteira tiveram ingresso líquido de US$ 621 milhões no mês, impulsionados pela entrada de US$ 1,098 bilhão em ações e fundos de investimentos, que compensaram a retirada de US$ 477 milhões em títulos de dívida. No acumulado de 12 meses, os investimentos em carteira somam US$ 28,5 bilhões em ingressos líquidos. Paralelamente, o estoque de reservas internacionais do país subiu para US$ 366,9 bilhões, uma expansão de US$ 4,911 bilhões na comparação mensal.
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Detalhes das Transações Correntes: Balança e Serviços
Balança Comercial
As exportações de bens somaram US$ 34,282 bilhões no mês passado, avançando 13,9% na comparação anual com 2025. Já as importações avançaram 6,2%, totalizando US$ 24,574 bilhões. Com isso, a balança comercial encerrou abril com um superávit de US$ 9,707 bilhões, superando o saldo positivo de US$ 6,957 bilhões verificado em abril de 2025.
Conta de Serviços
A conta de serviços — que engloba viagens internacionais, transportes e seguros — registrou um déficit de US$ 5,044 bilhões, frente ao saldo negativo de US$ 4,091 bilhões em abril de 2025. Os principais destaques da categoria foram:
- Tecnologia e Streaming: As despesas líquidas com telecomunicação, computação e informações subiram 26%, gerando um déficit de US$ 839 milhões, puxado fortemente por transações em plataformas digitais e aquisição de softwares;
- Aluguel de Equipamentos: Alta de 16,1%, atingindo o montante de US$ 1,130 bilhão pagos a empresas no exterior para o arrendamento de maquinários, plataformas e aeronaves;
- Turismo: As despesas líquidas com viagens internacionais saltaram 66,4%, somando US$ 1,456 bilhão. Enquanto o gasto de estrangeiros no Brasil ficou estável (US$ 837 milhões), as despesas de brasileiros no exterior cresceram 34,8%, batendo US$ 2,293 bilhões.
Rendas Primária e Secundária
O déficit na conta de renda primária — referente a remessas de lucros, dividendos, juros e salários — alcançou US$ 6,801 bilhões em abril, um avanço de 35,5% sobre os US$ 5,018 bilhões do mesmo mês de 2025. O comportamento deficitário é o padrão da economia brasileira, dado o maior volume de estoque de capital estrangeiro investido no país em relação ao capital nacional alocado no exterior. Por fim, a conta de renda secundária fechou o mês com superávit de US$ 374 milhões, abaixo do saldo positivo de US$ 516 milhões registrado em abril de 2025.



