Referência nacional, Polícia Militar do Rio forma instrutores do Proerd de outros estados
- jun 20, 2026
Com foco na prevenção às drogas e à violência escolar, capacitação fluminense vai multiplicar boas práticas pedagógicas e de segurança para agentes de todo o país
Reconhecido como o principal centro de formação do país, o Rio de Janeiro vai receber policiais militares de diferentes estados para a 22ª edição do Curso de Formação de Instrutores do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd). A iniciativa reforça o papel pioneiro da Polícia Militar fluminense na capacitação de instrutores e na disseminação de boas práticas de educação preventiva em todo o território nacional.
Atualmente, o Proerd conta com 150 instrutores em atividade, alcançando os 92 municípios do estado do Rio. Esse número ganhará um importante reforço em agosto, quando o novo curso será realizado, entre os dias 17 e 28 de agosto, na Fazenda Marambaia, em Guaratiba. Ao todo, 36 policiais vão participar da imersão, que os habilitará a atuar diretamente na prevenção às drogas e à violência no ambiente escolar, abrangendo desde a educação infantil, o 5º e 7º anos do Ensino Fundamental, até o Ensino Médio.
Três décadas de impacto no ambiente escolar
Criado em 1992, o Proerd atua há mais de três décadas nas escolas fluminenses levando palestras e atividades educativas sobre prevenção ao uso de substâncias entorpecentes, bullying, cyberbullying e violência escolar. No período pós-pandemia, o programa registrou uma média anual expressiva de 1.386 colégios atendidos, alcançando cerca de 3.753 turmas e mais de 107 mil alunos.
Para integrar a equipe do Proerd, o agente precisa ter no mínimo dois anos de atividade com bom comportamento e ser aprovado em três etapas rigorosas de seleção: exames de escrita, oratória e psicologia. O subtenente Ricardo Negreiros, policial do Proerd, explica que o objetivo central é criar vínculos de confiança com os estudantes:
"O nosso trabalho é baseado no diálogo. Criamos uma relação de confiança com os alunos e podemos passar informações que eles conseguem aplicar dentro e fora da escola. Nós temos a oportunidade de conhecer os alunos nas séries iniciais e encontrá-los novamente nos anos subsequentes e há uma mudança significativa no comportamento deles. Saber que eu posso fazer a diferença na vida de uma criança e de um adolescente é gratificante", afirmou o subtenente.
Foto: Rogério Santana/GOVRJ |
Patrulha da Criança e do Adolescente fortalece o elo com as famílias
Além do Proerd, a corporação conta com a Patrulha da Criança e do Adolescente, criada em 7 de fevereiro de 2022. O programa atua de forma preventiva e especializada, promovendo ações de segurança, orientação e acolhimento. Desde a sua criação, a patrulha já atendeu 7.576 escolas, registrou 145.807 boletins, realizou 1.076 ações preventivas e promoveu 1.621 palestras, impactando cerca de 57 mil alunos.
A capitão Cristiane Maria de Souza Lima destaca que o policiamento vai além do modelo tradicional, utilizando uma abordagem humanizada para lidar com situações sensíveis e casos de violência.
"O objetivo é fortalecer a aproximação entre polícia, escola e família. A prevenção começa pela confiança. O aluno precisa entender que pode procurar ajuda e que existe uma rede preparada para acolher e proteger. É um policiamento mais especializado e integrado com toda a rede de apoio, como se fosse um elo entre educação e a família e o estreitamento com o judiciário", explicou a capitão.
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Parceria aprovada por gestores e alunos
No Colégio Estadual Vicente Januzzi, localizado na Barra da Tijuca, a eficácia dos programas é sentida no dia a dia. A diretora adjunta da unidade, Joelma Machado, relata que a parceria com a Polícia Militar tem sido fundamental para solucionar demandas complexas do cotidiano, como casos recentes envolvendo o uso de cigarros eletrônicos (vapes) e episódios de cyberbullying.
"Muitas vezes, a presença deles aqui já ajuda na sensação de segurança. No caso do aluno encontrado com vape, a direção fez todo o protocolo em relação aos responsáveis e, logo depois, iniciamos um trabalho de conscientização com a turma. O subtenente Ricardo Negreiros atuou diretamente nessa turma e é muito bom quando temos alguém preparado para tratar esses assuntos com os adolescentes", pontuou a diretora.
Entre os estudantes, a aceitação das iniciativas é amplamente positiva. Lenito Augusto da Silva Bernardo Júnior, de 16 anos, ressalta o valor do conhecimento adquirido: "A presença deles na escola me traz segurança e é muito bom ter uma escola que traz esse tipo de palestra, pois aprendemos mais. Por mais que eu já saiba dessas coisas pela educação que tenho em casa, é bom ter mais conhecimento sobre esses assuntos".
A estudante Alice Teixeira Miranda Lopes, de 14 anos, também relata ter percebido mudanças práticas na postura de seus colegas após as dinâmicas do Proerd. "Nos sentimos mais acolhidos. Eles mostram como lidar com situações difíceis e isso faz os alunos terem mais consciência. A palestra sobre drogas, por exemplo, nos mostrou como podemos lidar com isso e nos deu mais consciência de que isso realmente acontece com diversas famílias", concluiu.




