Usina solar em comunidade de Niterói gera economia de R$ 5 milhões por ano ao município
- jul 10, 2026
Projeto-piloto instalado no Morro do Boa Vista conta com mais de 2 mil painéis fotovoltaicos e vai abastecer 19 creches públicas
No alto do Morro do Boa Vista, em Niterói, Região Metropolitana do Rio de Janeiro, uma transformação na paisagem chama a atenção de quem olha para a encosta. Um imenso espaço de vegetação rasteira agora abriga uma moderna usina de geração de energia renovável que virou sinônimo de eficiência fiscal e sustentabilidade, prometendo gerar uma economia de R$ 5 milhões por ano para os cofres da cidade.
Inaugurada pela Prefeitura de Niterói no último fim de semana, a usina ocupa uma área de 36 mil metros quadrados (
), o equivalente a cerca de cinco campos de futebol. O espaço recebeu a instalação de mais de 2 mil módulos fotovoltaicos e fica vizinho a uma comunidade de quase 1,8 mil moradores, de acordo com dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Retorno sobre o investimento em tempo recorde
O projeto-piloto consumiu R$ 7 milhões em investimentos públicos. Com a previsão de economia anual de R$ 5 milhões na conta de luz do município, o valor gasto na implementação será totalmente pago em menos de dois anos de operação, segundo estimativas da prefeitura.
A expectativa é que a usina solar produza cerca de 150 mil quilowatts-hora (
) de energia por mês. Todo esse volume será destinado ao abastecimento de equipamentos públicos municipais, sendo o suficiente para garantir a eletricidade de 19 creches locais.
Infraestrutura, captação de água e segurança de encostas
Além do impacto direto na matriz energética e no orçamento municipal, a iniciativa levou melhorias estruturais fundamentais para a comunidade do Boa Vista. Foram realizadas intervenções como a recuperação da vegetação nativa, implantação de sistemas de drenagem e mecanismos para a captação de água da chuva.
O sistema de reaproveitamento pluvial tem capacidade para armazenar aproximadamente 30 mil litros de água. O recurso será utilizado na manutenção e limpeza das próprias placas fotovoltaicas, além de servir como apoio técnico para o combate a possíveis incêndios e na prevenção de processos erosivos nas encostas do morro. A prefeitura informou que, a depender da avaliação dos resultados deste piloto, a iniciativa poderá ser expandida para outras comunidades de Niterói.
Projeto é apontado como referência e 'benchmarking'
Para o professor Lino Marujo, chefe do Departamento de Engenharia Industrial da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o projeto niteroiense reúne as características necessárias para servir de modelo e benchmarking (comparação com iniciativas de referência) para outros municípios brasileiros.
“Essa iniciativa combina no mesmo projeto geração de energia renovável, captação de recursos hídricos e redução de riscos de deslizamentos”, avalia Marujo.
O especialista, que também leciona no MBA Executivo em Economia do Petróleo, Gás e Energia da Escola Politécnica da UFRJ, aponta que os benefícios vão muito além do aspecto ambiental, gerando um forte impacto socioeconômico. “Ao se aproximar da comunidade local, agregando e disseminando conhecimentos em tecnologias sustentáveis e podendo gerar empregos na região”, destaca.
“Em um país como o nosso, onde há disponibilidade de solo e alta incidência solar, projetos como esse devem ser cada vez mais difundidos e aprimorados, agregando valor para a sociedade, para o ambiente e economia”, diz Marujo.
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O avanço da energia solar na matriz elétrica nacional
A expansão da energia fotovoltaica é vista como um pilar essencial para o futuro sustentável, uma vez que sua operação é considerada limpa, livre da emissão de poluentes atmosféricos e de gases do efeito estufa — os principais responsáveis pelo aquecimento global.
Os painéis solares vêm conquistando um espaço histórico na matriz elétrica nacional. Entre 2024 e 2025, a energia solar foi a fonte que registrou o maior crescimento no Brasil, com um salto expressivo de 24,7%, segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia.
Em 2025, a fonte consolidou-se como a terceira principal força da matriz elétrica do país, respondendo por 11,4% do total nacional, ficando atrás somente da energia hidrelétrica (51,2%) e da eólica (14,9%). (com informações da Agência Brasil)



