Brasil tem 2 milhões de trabalhadores por aplicativos e rendimento-hora inferior à média, aponta IBGE
- set 05, 2026
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Pesquisa nacional revela que trabalhadores plataformizados enfrentam jornadas mais longas e maior informalidade, enquanto o setor e empresas questionam os dados metodológicos do levantamento.
O Brasil registrou cerca de 2 milhões de pessoas trabalhando por meio de aplicativos em 2025. O dado faz parte de uma edição especial sobre o trabalho intermediado por plataformas digitais da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada nesta sexta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O levantamento mapeou indivíduos com 14 anos ou mais que utilizam plataformas para prestar serviços de transporte e entregas, grupo classificado pelo instituto como “plataformizados”. O contingente de 1,959 milhão de trabalhadores representava 1,9% do total de ocupados no país no período.
Perfil e distribuição dos trabalhadores
A maior parte dos trabalhadores por aplicativo — aproximadamente 1,2 milhão de pessoas, ou 58,9% do total — atua no transporte de passageiros, utilizando plataformas como Uber e 99, além de motoristas exclusivos de táxi. Na sequência, os entregadores de comida e produtos representam 19,2% da categoria (376 mil pessoas em aplicativos como iFood, Rappi e Zé Delivery). O restante distribui-se em prestação de serviços gerais e profissionais, como telemedicina, tradução e design, somando 313 mil trabalhadores.
A atividade de transporte, armazenagem e correios concentra o maior índice de plataformização: 75% dos trabalhadores do setor utilizam aplicativos. Em relação ao perfil demográfico dos profissionais que têm os apps como ocupação principal, 84,4% são homens e 47% têm entre 25 e 39 anos. A principal motivação apontada para ingressar na atividade foi a dificuldade de encontrar outro emprego.
Jornadas longas e menor rendimento por hora
Embora o rendimento médio mensal dos plataformizados tenha ficado em R$ 3.147 — patamar similar ao dos trabalhadores não plataformizados, que ganhavam R$ 3.148 —, a proporção em relação ao tempo dedicado difere consideravelmente. Os motoristas e entregadores cumpriram uma jornada semanal média de 44,7 horas, superando em 5,4 horas a marca dos demais trabalhadores do setor privado, que registraram 39,3 horas.
O reflexo direto dessa diferença de carga horária recai sobre o ganho por hora trabalhada. Os profissionais de aplicativos receberam em média R$ 16,2 por hora, valor 12% menor que os R$ 18,4 por hora pagos aos demais ocupados. A pesquisa também apontou um cenário elevado de informalidade na categoria, onde 72,1% dos trabalhadores atuam na informalidade e apenas 34% possuem cobertura previdenciária, comparado a 42,7% de informalidade e 63% de previdência no restante do mercado.
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Dependência das plataformas e debate jurídico
Aproximadamente 1,6 milhão de trabalhadores por aplicativos declararam-se por conta própria (86,8% do total). No entanto, o IBGE destacou que a autonomia é relativa, já que a maioria relata forte dependência das diretrizes das empresas controladoras em relação ao valor recebido por tarefa, prazos e métodos de pagamento.
A divulgação coincide com debates judiciais sobre o tema, incluindo o andamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a chamada "uberização" e a discussão em torno de vínculos empregatícios.
Após a publicação dos dados, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), entidade que representa empresas como Uber, 99 e iFood, emitiu nota na qual reconhece a relevância de pesquisas sobre o setor, mas aponta limitações metodológicas no estudo experimental do IBGE. Segundo a associação, divergências em critérios de renda e na contabilização de ocupações secundárias impedem um retrato preciso do segmento, reforçando a disposição da entidade para colaborar no aprimoramento futuro das análises. (com informações da Agência Brasil)
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