NR-1 impulsiona empresas a transformar saúde mental em prática de gestão
- set 26, 2026 - Por Redação Jornal Capital
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Com o fim do prazo determinado pelo STF para sanções sobre riscos psicossociais, companhias buscam integrar a prevenção e o monitoramento ao dia a dia da gestão organizacional.
A retomada da aplicação de multas e sanções relacionadas aos riscos psicossociais, após o período de 90 dias determinado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), coloca as empresas diante de uma nova fase de implementação da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1). Com o fim do prazo previsto para 23 de setembro, as penalidades passam a valer, tornando o desafio principal a incorporação efetiva da saúde mental à rotina corporativa.
Apesar da exigência legal, o cenário ainda é de adaptação. Um levantamento da consultoria Heach, realizado no início de 2026, apontou que 68% das companhias consultadas afirmavam não compreender plenamente as novas diretrizes da norma, enquanto 58% admitiram agir apenas diante de situações críticas. Os dados evidenciam a necessidade de criar mecanismos contínuos de acompanhamento e prevenção integrados ao ambiente de trabalho.
Experiência prática e monitoramento contínuo
Algumas organizações já vinham se antecipando às exigências regulatórias. Na Braskem, por exemplo, a construção de um programa voltado à saúde integral e bem-estar começou em 2022 e foi gradualmente incorporada à cultura da empresa. A estrutura conta com fluxos para investigação de transtornos mentais e ferramentas de escuta ativa.
Entre as iniciativas adotadas estão ferramentas como o "Check-in", que avalia como os colaboradores chegam ao trabalho, e o "Termômetro do Bem-Estar", focado em monitorar a percepção da relação entre trabalhador, liderança e organização. A companhia também utiliza o questionário desenvolvido pelo Health and Safety Executive (HSE), do Reino Unido, para mensurar diferentes dimensões dos riscos psicossociais.
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Capacitação de lideranças e processos
O desenvolvimento das equipes e a revisão de processos também fazem parte da estratégia de adequação. A capacitação de gestores e ações de psicoeducação buscam preparar as lideranças para reconhecer sinais precoces de sobrecarga e atuar de maneira preventiva. Na empresa, o tema é acompanhado de perto pela alta liderança por meio de Comitês de Saúde Integral, que reúnem líderes e funcionários para identificar riscos e promover relações saudáveis.
Para o dr. Eduardo Ferreira Arantes, médico especialista em Medicina do Trabalho e gerente de Saúde da Braskem, o momento exige que o tema deixe de ser visto apenas como cumprimento de exigência legal.
“Mais do que responder a uma exigência regulatória, esse momento exige que as organizações desenvolvam capacidades para incorporar o tema à sua gestão. Por isso, temos fortalecido a capacitação das equipes e revisado processos de formação e certificação. Esse movimento contribui para que a saúde mental esteja cada vez mais integrada à nossa maneira de operar”, afirma o especialista.
Segundo Eduardo, a prevenção eficaz envolve compreender as condições que podem gerar adoecimento e atuar diretamente sobre elas por meio de ajustes de prazos, redistribuição de demandas e revisão de processos produtivos.
“A saúde mental precisa fazer parte da rotina das empresas e ser uma responsabilidade compartilhada, criando condições para que as pessoas possam se desenvolver e permanecer saudáveis”, conclui.




