Filho de imigrantes judeus russos, faleceu em São Paulo, aos 94 anos, um cidadão que sempre perseguiu o novo e nunca se acomodou ao sucesso de ontem. Ainda jovem, trabalhando na loja de autopeças do pai, ele viu no projeto de implantação da indústria automobilística nacional do Governo JK, a oportunidade de criar no País uma verdadeira indústria de autopeças. Com ajuda do irmão, ele fundou a Companhia Fabricadora de Peças, que logo se tornaria conhecida pela sua logo: Cofap.
Para enfrentar a desconfiança dos mecânicos numa peça "Made in Brasil", Kasinski se tornou caixeiro viajante, percorrendo o Brasil e batendo na porta de cada oficina, onde demonstrava que a marca Cofap merecia a confiança dos profissionais que garantem a manutenção do automóvel ao longo dos anos. Numa época em que ninguém se preocupava em inovação tecnológica, Kasinski buscava sempre melhorar o que já era bom e, por isso, a sua empresa se manteve no topo das principais fornecedoras das montadoras que se instalaram no Brasil por 40 anos, levando a marca Cofap a mais de 90 países e garantindo o emprego a 18 mil famílias.
Na abertura econômica da era Collor, quando novas montadoras aportaram por aqui, o governo permitiu que elas trouxessem no "pacote" seus antigos fornecedores. Com a invasão do mercado brasileiro por multinacionais de autopeças, Kasinski pressentiu que a sua Cofap não teria como enfrentar as concorrentes de outras bandeiras e, em 1997, decidiu vender a empresa antes que soçobrasse.
Com o dinheiro que recebeu pelo negócio, cerca de US $ 25 milhões de dólares, ele poderia fazer o que muitos empresários brasileiros costumam fazer: comprar um luxuoso iate para viajar pelo mundo, ou um possante helicóptero para levá-lo de S. Paulo ao Guarujá nos fins de semana e feriados, sem os aborrecimentos dos quilométricos engarrafamentos a que os paulistanos são obrigados a enfrenta no dia a dia
Com seu espírito indômito, mesmo aos 80 anos, Kasinski escolhe um novo "passa tempo": comprou uma fábrica na Zona Franca de Manaus, onde passou a fabricar uma moto que batizou com o seu nome de família. E, mais uma vez, Kasinski inovou, ao se lançar como garoto propaganda de sua própria moto ao pilotar o bólido no alto de um dos arranhacéus de São Paulo.
Pelo seu espírito empreendedor e inovador, Kasinski entrou para o rol das personalidades mais fascinantes e instigantes do País, um exemplo de que, para quem sonha alto, sempre haverá espaço para novos projetos e novos sonhos.
E é disso que o Brasil precisa: empresários empreendedores e inovadores, que não se contentem com o sucesso de ontem, mas que estejam permanentemente abertos às inovações tecnológicas, não com a preocupação de ser moderno, mas de produzir sempre mais a custos menores.
Qualidade e preço nunca foram adversários ou concorrentes como muitos imaginam e se, unidos por um espírito inovador como o de Abraham Kasinski, é possível ter sempre um novo produto com um preço sempre menor, qualquer que seja o ramo de atividade do empresário.
Que surjam novos Abrahans Kasinski pelos quatro cantos do Brasil, capazes de levar à frente seus projetos e tornarem em realidade os seus mais criativos e impossíveis sonhos.


