Embora tenha sido interpretada como fato já consumado, a mudança da praça de pedágio de Xerém, localizada no quilômetro 104 da BR-040 (Rio-Juiz de Fora), só acontecerá no início do próximo ano. A implosão do viaduto na altura do quilômetro 102, que aconteceria na tarde de sexta-feira (14), foi proibida pelo Exército, o que obrigou a concessionária Concer a fazer sua derrubada com máquinas.
Atualmente, a tarifa cobrada na BR-040 é uma das mais altas do país: R$ 8 para carros de passeio nos dois sentidos da pista. A cerimônia de inauguração das obras na tarde de sexta-feira contou com a presença do vice-governador Luiz Fernando Pezão, do diretor geral da ANTT, Jorge Luiz Bastos, do presidente da Concer, Pedro Johnson, e parlamentares, entre outras autoridades.
O pacote de obras prevê a duplicação da Serra de Petrópolis e a transferência da praça de pedágio de Xerém, que hoje divide ao meio o município de Duque de Caxias. Por determinação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o posto de cobrança será transferido para o início da Serra de Petrópolis. Dessa forma, os moradores do distrito de Xerém e bairros vizinhos estarão livres do pagamento de tarifas para ir ao Centro do município ou ao Rio de Janeiro. Se for para alguma cidade serrana, continuará pagando pedágio.
A mudança da praça de pedágio, quando efetivada, atenderá antiga reivindicação dos moradores da região. "Essa é uma conquista histórica da população de Duque de Caxias - comemora o deputado federal Washington Reis, morador da região e atual presidente da Comissão de Viação e Transporte da Câmara. “Quero agradecer a todos do governo da Presidenta Dilma, que foram sensíveis à necessidade desta população. Participar deste momento, com a população aqui presente, mostra como é importante a gente estar na política", ressaltou o vice-governador Luiz Fernando Pezão.
AS OBRAS - O acordo fechado pela presidente Dilma Rousseff, em março, prevê que as concessionárias CCR (Dutra e Ponte) e Concer (Rio-Juiz de Fora) recebam contrapartida do Tesouro Nacional para fazer as obras. A duplicação do trecho da Serra de Petrópolis deve ser concluída em três anos. O programa de obras da Concer para a duplicação está dividido em cinco lotes. O primeiro prevê a mudança no local da praça de pedágio. Neste primeiro lote, também estão previstas outras intervenções entre os quilômetros 103 e 97, como a implantação do sistema viário de Xerém e Vila Bonança e vias marginais até a localidade do Aviário, que permitirão a separação do tráfego local do de longa distância, além de possibilitar o acesso direto de moradores de Xerém ao Centro de Duque de Caxias. Neste lote também está prevista a duplicação de trecho da atual pista de descida da serra.
A duplicação do trecho da Serra de Petrópolis deve ser concluída em três anos. O projeto prevê a duplicação de 15 quilômetros do atual trecho de descida da serra e a construção de um túnel de aproximadamente cinco quilômetros, totalizando uma extensão de 20 quilômetros de nova pista. Neste projeto serão implantadas 28 novas obras de artes especiais, entre pontes e viadutos, além de sete alargamentos de estruturas já existentes. Haverá acesso da rodovia a Petrópolis pelo Quitandinha e a ligação Bingen-Quitandinha.
A duplicação da Serra de Petrópolis é parte de um pacote de investimentos no valor de R$ 2,8 bilhões, que prevê obras na BR-040, na Via Dutra e na Ponte Rio-Niterói. O acordo fechado pela presidente Dilma Rousseff, em março, prevê que as concessionárias CCR (Dutra e Ponte) e Concer façam as obras. Quando terminarem os contratos de concessão, as empresas serão ressarcidas pelo governo federal, caso fique comprovado o desequilíbrio financeiro das concessionárias.
Deputado Dica questiona continuação da cobrança
O deputado estadual Dica (PSD) lamentou que a população de Duque de Caxias “vá continuar sendo vítima da concessionária Concer" por muitos meses mais. “É inaceitável que se faça tanta propaganda sobre a desativação da praça de pedágio, quando isso, na verdade, só vai acontecer dentro de sete, oito meses. Isso significa que a Concer ainda vai tirar muito dinheiro da população do município", disse o parlamentar.
- A informação que temos é que o pedágio infelizmente não vai acabar. Ele vai apenas trocar de lugar, vai ser deslocado um pouco mais para a frente. Quem for subir a serra, vai continuar pagando. E essa mudança parece ser uma grande moeda de troca, pois estamos próximo do término da concessão e a empresa deverá renovar o contrato para explorar os serviços por vários anos, além do fato de que a obra de construção da nova praça de pedágio ser paga pelo governo federal, mais um sangramento do bolso do povo - explicou Dica.
O deputado antecipou ao Capital que está estudando a convocação de uma audiência pública na Assembleia Legislativa para discutir o assunto com as lideranças de moradores, associações, sindicatos e autoridades. “Não podemos aceitar que essas decisões sejam tomadas dentro de gabinetes sem consulta à população. Precisamos e queremos saber o conteúdo desse acordo", concluiu Dica.


