A Comissão Nacional da Verdade (CNV) poderá entrar com um mandado de condução coercitiva junto à Polícia Federal para ouvir o depoimento de agentes da repressão, caso os convocados não compareçam. Membros da comissão estiveram com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, no final da tarde desta segunda-feira (21), em Brasília, para se certificarem de qual será o procedimento nesses casos.
- Viemos de maneira preventiva conversar com o ministro e ficamos satisfeitos com o diálogo. Ele recordou a nós que tem esse entendimento [da aplicação da condução coercitiva] - disse o coordenador da CNV, Pedro Dallari. Desta forma, a comissão utilizará esse artifício caso algum convocado não compareça para depoimento e nem apresente justificativa. “Mas quero manifestar minha convicção de que isto não será necessário. Seria quase que vexatória a ausência sem qualquer justificativa apenas para não ajudar a Comissão Nacional da Verdade", completou.
Os primeiros quatro militares dos 16 convocados foram ouvidos nesta segunda-feira pela CNV, em Brasília. Um deles disse que a Casa Azul, base militar localizada em Marabá, no Pará, foi utilizada como local de interrogatório de presos durante a ditadura militar. “A informação que ele nos deu é que na Casa Azul de Marabá havia interrogatório de pessoas presas e essa é uma informação que se soma a outras que já temos para confirmar realmente o local como um dos principais centros de tortura e graves violações de direitos humanos nesse período", disse Dallari. Ele, no entanto, não revelou qual dos depoentes deu essa informação.
A Casa Azul foi implantada de 1972 a 1973 para reprimir as ações dos militantes da Guerrilha do Araguaia. No local, pelo menos 22 militantes do PCdoB e dois camponeses foram mortos. No local, atualmente funciona o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). (Agência Brasil)


