O Distrito de Xerém, abalado pelas fortes chuvas em janeiro do ano passado, aos poucos volta a viver dias melhores. No último dia 14, a prefeitura promoveu a inauguração de várias obras de importância para a região, entre elas a reforma da Praça dos Aposentados, o recapeamento da Rua Venâncio, a construção de duas passarelas e da Ponte do Café Torrado, sobre o Rio João Pinto, bem como obras no seu entorno, entre elas uma academia de ginástica para a terceira idade, playground, área de lazer e um campo de futebol, além de pavimentação e contenção de várias ruas. O custo total chega a R$ 12 milhões.
O Capital fez nova visita à região na última terça-feira (16) e conversou com alguns comerciantes. A reportagem encontrou a praça ocupada pelas crianças que saiam das escolas, assim como o campo de futebol de grama sintética. Um vendedor que trabalha na casa de materiais de construção JF da Silva, em frente à nova ponte, informou que o proprietário estava viajando e somente ele poderia dar mais informações. Comentou, no entanto, que o movimento voltou a melhorar nos últimos meses após a abertura da nova ponte e elogiou as obras feitas no local. Em uma loja vizinha, a demonstração da confiança pôde ser constatada em um estabelecimento recém inaugurado, o Aviário da Ponte. A balconista Maria José, de 39 anos, disse não poder traçar um paralelo entre o movimento na época da tragédia e os dias atuais, pois a loja foi aberta há apenas quatro meses. Ressaltou que o movimento está melhorando a cada dia. Ela também fez elogios às obras inauguradas e enfatizou a importância dos moradores preservarem as melhorias, no sentido de evitar pichações e depredações e manter a limpeza dos locais. “Isso é importante, afinal vivemos aqui e temos que cuidar bem", observou a atendente, que reside no local há 12 anos. Ela acrescentou que na época da enchente, sua residência no bairro 51 foi inundada, mas o imóvel não foi condenado pela Defesa Civil.
Comerciante faz sugestão para implementar o turismo
José David Raimundo, de 56 anos, é proprietário da drogaria Duque Pharma, que funciona há quatro anos na Avenida Venâncio. O comerciante reside na região há mais de 20 anos e disse que a tragédia do ano passado afetou bastante sua atividade. “Eu estava aqui no dia e acabei ajudando a salvar algumas pessoas. Muitas delas perderam documentos. O comércio caiu muito, fiquei dez dias de porta fechada e sem telefone e consequentemente sem poder fazer venda com cartão. Muita gente saiu daqui e foi para outros locais". E continuou falando sobre a tragédia, que deixou dois mortos: “Tudo aconteceu muito rápido, o prefeito esteve na minha loja e comentou que a ponte agravou a tragédia, a água veio de uma vez só, foi uma coisa terrível", lembrou, acrescentando que a água chegou a entrar na loja, mas os medicamentos não foram perdidos, pois estavam em prateleiras altas. Passado todo esse tempo, o movimento ainda não voltou ao que era na época. “Agora, tivemos essas obras e estão sendo feitas novas casas e acredito que muitos moradores vão voltar, o movimento vai melhorar".
- Eu lamento que tudo [as novas obras] tenha sido feito depois da tragédia. Poderia ter sido feito antes, afinal esta região é área turística e pode melhorar muito - comentou. O comerciante acredita que o abandono da região contribuiu para a tragédia. “Nós tivemos prefeito que morava aqui. Xerém ficou um pouco abandonada pelo poder público nos últimos governos. A fiscalização não existe. Tinha pessoas que faziam colunas dentro do rio para aumentar o espaço de suas casas. Tivemos um fenômeno natural mas acredito que se não houvessem essas agressões os danos seriam muito menores".
Ao ser indagado sobre um projeto de turismo que está nos planos da prefeitura, manifestou grande interesse. “Eu tenho uma ideia que gostaria que chegasse ao prefeito, que é a construção de um teleférico", anunciou, acrescentando que esta era a primeira vez que abordava o assunto. José David aponta para a antiga Igreja de Santa Rita, de onde poderia partir o teleférico. “Ele poderia passar por outro local de altura mediana e terminaria em outro mais alto", apontando para o lado montanhoso da região. “Aquela [aponta para o repórter] é a Pedra da Congonha. Pode construir um hotel lá em cima, um restaurante panorâmico. Dá para imaginar como a região seria valorizada e o empreendimento traria mais divisas para o município?", comentou entusiasmado. A esse projeto, segundo ele, poderia ser agregado também um outro, de canalização do esgoto da região e aproveitamento da abundância da água para a construção de poços para banhos no curso do rio, o que, além de uma nova opção para moradores e visitantes, evitaria o fluxo de veículos ao interior da mata, de modo a preservá-la.
Prefeitura quer implantar polo de turismo na região
Durante uma visita que fez a Xerém em janeiro último, acompanhado da reportagem do Capital, o prefeito Alexandre Cardoso anunciou com exclusividade a elaboração de um plano para que o distrito pudesse disputar o mercado turístico com Itaipava e que faria articulações de parcerias com a iniciativa privada. Antes, porém, o prefeito assinalou a importância da realização de obras de infra-estrutura, a maioria delas que foram entregues no último dia 14. Nos projetos constam ainda a implantação de um DPO, uma clínica da família e uma creche. O pacote prevê ainda arruamento novo na região e um conjunto de pousadas na cachoeira.
- Vamos fazer um programa para desenvolver e incentivar o turismo, de geração de empregos para os moradores. Nós querermos investir e criar pousadas e hotéis e disputar o mercado de turismo com qualidade. Vamos trabalhar junto com o Inea nesse sentido. Por que é que o morador de Caxias tem que ir para Teresópolis, Itaipava ou pro Rio de Janeiro? Nós temos que fazer o morador de Caxias ter essas opções aqui mesmo. Logicamente que não é um negócio que se faz em um ou dois anos. Mas estamos trabalhando nisso - antecipou o prefeito.



