O braço suíço do banco HSBC ajudou clientes milionários e criminosos condenados em escândalos de corrupção e por tráfico de drogas a sonegarem impostos e a esconderem milhões de dólares em investimentos, distribuindo produtos bancários não identificados e orientando sobre como escapar das autoridades do fisco, segundo um dossiê formado por informações bancárias vazadas. A investigação foi realizada pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação, batizado de “Swissleaks", formado por 154 jornalistas de 45 países, incluindo o “Guardian". O private bank (área de gestão de fortunas) do HSBC na Suíça, segundo a investigação, permitia que clientes retirassem maços de dinheiro em espécie, frequentemente em moedas estrangeiras sem uso na Suíça, comercializava serviços para que clientes milionários evitassem impostos, ajudava alguns clientes a dissimularem contas não declaradas (caixa 2) e fornecia contas bancárias para criminosos internacionais, homens de negócios corruptos e indivíduos considerados de alto risco.
Apesar de as autoridades do fisco terem tido acesso confidencial às informações vazadas desde 2010, a verdadeira natureza da conduta do banco suíço não tinha ainda se tornado pública. O HSBC já está enfrentando investigações criminais na França, Bélgica, EUA e Argentina, como resultado do vazamento desses arquivos. A investigação revelou que o Brasil ocupa a quarta posição em número de clientes com passaporte ou nacionalidade brasileira envolvidos num vasto sistema de evasão de divisas aceito pelo banco HSBC britânico através de sua filial suíça. Os documentos vazados por um ex-funcionário da área de informática do banco mostram ainda que o Brasil é o nono país em volume de dinheiro associado a contas no paraíso fiscal, com um total de US$ 7 bilhões no período analisado, entre 2006 e 2007.
Maior vazamento de dados bancários da história, os arquivos do HSBC cobrem o período entre 2005 e 2007. Trazem a luz sobre 30 mil contas que somam cerca de US$ 120 bilhões em investimentos. As revelações devem ampliar a pressão sobre os paraísos fiscais e estimular o debate internacional sobre formas de aperta os controles. Procurado pelo "Guardian", o HSBC, segundo maior banco do mundo, admitiu que sua subsidiária suíça fez coisas erradas. "Nós tomamos conhecimento e fomos alertados sobre falhas nos controles internos no passado", informou o banco em uma nota. O braço suíço, segundo a nota, ainda não foi totalmente integrado ao HSBC após sua aquisição em 1999, permitindo que persistisse um padrão significativamente inferior nos controles internos.
Artistas de Hollywood, membros da realeza e personalidades do mundo da moda figuram nos arquivos do HSBC. Os documentos mostram que a subsidiária do banco prestava serviços bancários a parentes de ditadores, pessoas envolvidas em escândalos de corrupção na África e na indústria de armas ilegais. Desde 1998, as regras bancárias da Suíça passaram a requerer um alto grau de diligência a contas de pessoas politicamente expostas. Os documentos, no entanto, sugerem que o HSBC fornecia serviços a essas pessoas. (Com informações da Agência Lusa)


