Escândalo da corrupção na FIFA derruba o presidente Joseph Blatter quatro dias após sua reeleição
- jun 02, 2015
Quatro dias após ser reeleito presidente da Fifa, o suíço Joseph Blatter, de 79 anos, renunciou nesta terça-feira (2) à presidência da Federação Internacional de Futebol (Fifa). Desde o último dia 27, quando as autoridades de Justiça dos Estados Unidos e da Suíça deflagaram uma grande operação internacional contra a corrupção no futebol, a entidade tem sido obrigada a explicar as denúncias de que seus principais dirigentes cobravam propina para negociar contratos de marketing, transmissão de jogos e a escolha dos países-sede da Copa do Mundo.
A renúncia foi anunciada pelo próprio Blatter, durante entrevista coletiva concedida em Zurique, na Suíça. Uma nova eleição para escolher o sucessor do suíço será agendada. Até lá, Blatter continuará no comando da entidade. Ainda durante o anúncio, Blatter anunciou um programa de reformas significativas na entidade. As mudanças serão conduzidas pelo presidente independente do Comitê de Auditoria da Fifa, Domenico Scala.
Blatter tinha sido reeleito presidente da Fifa na última sexta-feira (29), depois que seu adversário na disputa, o príncipe jordaniano Ali bin Al Hussein, 30 anos, desistiu da candidatura sem maiores explicações. Seria o quinto mandato de Blatter à frente da entidade, que ele comanda desde 1998. Na manhã da última quarta-feira (27), policiais suíços prenderam, em Zurique, o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) José Maria Marin, e mais seis dirigentes esportivos: Jeffrey Webb, Eduardo Li, Julio Rocha, Costas Takkas, Eugenio Figueredo e Rafael Esquivel. No final da tarde do mesmo dia, o ex-vice-presidente da Fifa Jack Warner entregou-se às autoridades de Trinidad e Tobago, na América Central, mas foi liberado após pagar fiança de US$ 400 mil.
Nove dirigentes da Fifa e cinco empresários esportivos de várias nacionalidades – entre eles os sete já presos - foram denunciados à Justiça norte-americana devido às denúncias da Promotoria de Nova York. As autoridades norte-americanas também investigam indícios de fraude na escolha dos países-sede das duas próximas copas do Mundo (Rússia, 2018, e Catar, 2022). Segundo a Promotoria de Justiça de Nova York e o FBI (Polícia Federal dos Estados Unidos), o esquema pode ter movimentado mais de US$ 150 milhões em mais de duas décadas.
Patrocinadores estão preocupados com denúncias de corrupção
Alguns dos principais patrocinadores de eventos organizados pela Federação Internacional de Futebol (Fifa) manifestaram preocupação com as denúncias de corrupção que envolvem a entidade máxima do futebol mundial. Em nota, a Coca-Cola admitiu estar preocupada com a gravidade das denúncias, já que a “controvérsia manchou a missão e os ideais da Copa do Mundo da Fifa". Embora afirme confiar na federação – que garante cooperar com as autoridades dos Estados Unidos e da Suíça para esclarecer os fatos –, a multinacional frisou que ainda vai se reunir com os representantes da entidade para discutir o assunto.
A Adidas aproveitou para reafirmar que sua atuação é guiada por “elevados padrões de conduta ética" e garantiu que cobra o mesmo comportamento de seus associados e parceiros. A fabricante de artigos esportivos incentivou a Fifa a “continuar a estabelecer e seguir um padrão de conduta transparente". O presidente da Fifa, Joseph Blatter, garantiu que as ações nesse sentido já vêm sendo adotadas, embora acredite que “mais más notícias vêm por aí".
Sócia da Fifa desde 2007, a operadora de cartões Visa afirmou estar profundamente “desapontada" e “preocupada" com os fatos em torno das prisões e indiciamentos de dirigentes e ex-dirigentes da federação e de empresários esportivos com quem a Fifa tem contratos. “Como patrocinador, esperamos que a Fifa tome medidas rápidas e imediatas para solucionar essas questões. Isso começa com a reconstrução de uma cultura com práticas éticas fortes a fim de restaurar a reputação dos jogos para os fãs de todos os lugares", cobra a empresa em nota divulgada à imprensa e investidores.
Professor da Universidade de Brasília (UnB) e especialista em gestão estratégica e marketing esportivo, Américo Pierangeli acredita que o receio quanto às denúncias pode não só manchar a imagem do futebol mundial, mas também levar grandes patrocinadores a, pelo menos no primeiro momento, transferir parte de suas verbas publicitárias para outras modalidades esportivas, principalmente olímpicas. “Vai ser preciso aguardar o resultado das investigações para sabermos o nível de comprometimento [da Fifa] e avaliarmos o impacto real sobre o futebol, mas é óbvio que as suspeitas prejudicam a imagem da modalidade em todo o mundo, principalmente em países onde o esporte não é tão popular quanto no Brasil", disse Pierangeli à Agência Brasil.
- Publicamente, os patrocinadores vão tratar o assunto com prudência, mas cobrando respostas e mudanças. Mas, como algumas companhias que investem grandes somas no futebol devem começar a definir nos próximos meses seus planos de marketing para o ano que vem, não será estranho se algumas optarem por direcionar mais recursos para outras modalidades. Pelo menos até a poeira baixar - acrescentou o professor. (ABr)
Pelé elogiou a reeleição do suíço
Três dias após o suíço Joseph Blatter ser reeleito para seu quinto mandato como presidente da Federação Internacional de Futebol (Fifa), o maior jogador de todos os tempos, Pelé, manifestou satisfação com o resultado. O ex-atleta afirmou que a vitória de Blatter foi perfeita. O suíço está à frente da entidade desde 1998. “Eu era a favor de sua reeleição. É melhor termos gente com experiência nesses cargos. Foi perfeito", disse o tricampeão mundial com a seleção brasileira (1958, 1962 e 1970), pouco após pousar em Havana, Cuba, acompanhando a comitiva de um de seus ex-clubes, o Cosmos de Nova York (EUA), que, amanhã (2), participa de uma partida amistosa contra a seleção cubana. Segundo a agência de notícias Prensa Latina, o Cosmos é o primeiro time norte-americano de futebol profissional a jogar em Cuba desde 1978 – em 2008, a seleção dos EUA disputou, em Havana, uma partida classificatória para a Copa do Mundo. (ABr)


