Por pressão do Planalto, a Rede Globo cedeu quase uma hora do Jornal Nacional, o de maior audiência no País, na sexta-feira (3) para que o Ministro Chefe da Casa Civil, deputado Antonio Palocci, pudesse explicar, livremente e sem ameaça de cassete ou do “pau-de-arara", como conseguiu o milagre da multiplicação (por 20) da sua fortuna pessoal em apenas quatro anos. Foi simplesmente patética a exposição do influente médico sanitarista, que não deve ter estudado Matemática nas cartilhas distribuídas pelo MEC (ao preço de R$ 14 milhões) para alfabetização de adultos na Zona Rural, onde o cabo eleitoral é a Bolsa Família. Na tal cartilha, os analfabetos do interior do País aprendem que 10 - 7 = 4 e que 16 - 7 = 5. Durante a entrevista, Palocci se negou a revelar quais eram os clientes da empresa “Projeto", pois era um sigilo profissional, que ele não teve dúvida em quebrar quando se tratou de um modesto faxineiro, colocando um estrato da conta na caderneta de poupança que Francenildo dos Santos Costa mantinha na Caixa Econômica Federal nas páginas da revista Época.
Abandonado pela direção do PT e pela presidente Dilma Rousseff, Palocci apenas evoluiu em torno do tema - enriquecimento vertiginoso para quem está no interior do Governo e conhece as chaves secretas que abrem as arcas do tesouro. O caso “Palocci" é uma reedição piorada e mal acabada do caso “José Dirceu" em torno do escândalo do mensalão, onde Lula anunciou o famoso bordão: não sei de nada, não vi nada e o Zé Dirceu é um bom camarada. O resultado dessa “peça" está em cartaz no Supremo Tribunal Federal, onde a Procuradoria Geral da República apresentou denuncia contra um grupo de 40 pessoas, incluindo José Dirceu, que seria o chefe do bando que se uniu para desviar recursos públicos para bolsos particulares. Como Lula não afastou de imediato o seu Ministro Chefe da Casa Civil, o escândalo paralisou o Governo por meses, até que o “companheiro Zé", depois de sangrar em praça pública, foi finalmente defenestrado.
Em 2010, foi a vez da Ministra Chefe Erenice Guerra, que fora sub e braço direito de Dilma Rousseff naquele fatídico e disputado cargo, cujo gabinete fica ao lado do gabinete do presidente. Mais uma vez, Lula repetiu que tinha plena confiança na Ministra Erenice Guerra, mas não resistiu à pressão das ruas dos aliados e a tirou do cargo. Agora, na Era Dilma Rousseff, novo escândalo envolvendo as ações do ocupante do Gabinete mais importante do Palácio do Planalto, depois do gabinete presidencial, alimenta o noticiário político e provoca frisson no PT e no PMDB, havendo, inclusive, apostas em todos os escaninhos do Poder para descobrir quem será o novo Ministro Chefe da Casa Civil de Dilma Rousseff.
A entrevista do ex-prefeito de Ribeirão Preto soou a muitos como um “Réquiem" para Palocci. Agora respirando por aparelhos, a sua sobrevida política dependerá apenas do tempo que a presidente precisará para encontrar alguém para substituí-lo. Palocci esqueceu de uma velha lição da História de Roma: não basta à mulher de César ser honesta; ela precisa parecer honesta.
Enquanto isso, o governador do Rio de Janeiro se irritada por ver interrompida mais uma vilegiatura em Paris, retorna ao às pressas ao Rio e manda prender mais de 400 bombeiros que reclamavam do salário de fome (R$ 950 por mês). A campanha salarial dos bombeiros, que não recebem a bolsa-esmola que o governador deu à PM, é antiga, mas Sergio Cabral sempre se negou a discutir o assunto com os interessados, deixando essa ingrata tarefa com o esquio Secretário de Saúde, Sérgio Cortes, cujo braço direito e contra-parente foi responsável pela licitação que beneficiou a empresa Tosa, responsável pela manutenção de ambulâncias. A denuncia sobre essa licitação foi feita por um oficial médico do Corpo de Bombeiros, que foi imediatamente defenestrado pelo governador. Às voltas com a Justiça, o secretário Sérgio Cortes não tem tempo (nem estômago) para discutir coisas tão triviais, como o salário de R$ 950 reais pagos aos bombeiros, ou a necessidade dessa categoria de servidores ganhar o vale transporte, benefício para os empregados que faz a alegria das empresas de ônibus.


