Audiência na Ilha Grande mobiliza centenas de pessoas contra nova taxa de turismo
- mai 15, 2026
Moradores e empresários protestam na Vila do Abraão após prefeitura vetar quadra pública; entidade aponta cobrança abusiva e desvio de recomendação técnica
Centenas de moradores, empresários e representantes do setor de hotelaria e comércio participaram, na noite desta quarta-feira (14), de uma audiência pública realizada na praça central da Vila do Abraão, na Ilha Grande. O encontro, que ocorreu em frente ao cruzeiro, teve como objetivo central debater a polêmica taxa de turismo instituída e aprovada pela Prefeitura de Angra dos Reis.
O debate ficou marcado por um impasse logístico inicial. A audiência estava prevista para acontecer na quadra poliesportiva da comunidade. No entanto, segundo os organizadores do evento, o Executivo municipal proibiu a utilização do espaço público um dia antes da data marcada, alegando a necessidade de pintura da quadra. A alteração de última hora forçou a ida do público para a praça aberta e gerou duras críticas e protestos entre os presentes.
A mesa de debates contou com a participação dos deputados estaduais Marcelo Dino e Jorge Felipe Neto, ambos do PL, além de lideranças comunitárias locais e dirigentes de entidades de classe do setor de turismo.
"Essa taxa cria transtorno. Prejudica o turismo, afeta quem gera emprego, impacta moradores e visitantes e dificulta ainda mais a vida de quem já enfrenta tantos desafios diariamente. Nós vamos lutar contra essa taxa. Seja na justiça, no Tribunal de Contas e onde mais for necessário", reforçou o deputado Marcelo Dino.
“Nós vamos lutar contra essa taxa. Seja na justiça, no Tribunal de Contas e onde mais for necessário", afirmou o deputado Marcelo Dino. Foto: Evyleen Freitas |
Entidade calcula peso financeiro e teme afastar visitantes
A medida da prefeitura prevê a cobrança individual por visitante para o ingresso na Ilha Grande. Desde o anúncio, a proposta vem enfrentando forte resistência das entidades setoriais. Presente no encontro, a Associação dos Meios de Hospedagem da Ilha Grande (AMHIG) reiterou publicamente sua manifestação de repúdio ao projeto, classificando a taxação como injusta e danosa para a sustentabilidade econômica da região.
Para ilustrar o impacto financeiro real do novo tributo no bolso do consumidor, a associação apresentou simulações do custo de deslocamento acoplado ao valor da nova tarifa.
- Impacto no bolso: Um núcleo familiar composto por um casal e dois filhos gastará aproximadamente R$ 1.180 apenas com as passagens de barco somadas ao valor da nova taxa;
- Risco comercial: A AMHIG alerta que o encarecimento abrupto do destino tem potencial imediato de afastar turistas e elitizar o acesso de famílias à localidade.
“Um casal com dois filhos gastará quase R$ 1.180 apenas com barco e taxa. Isso é incentivo ao turismo?”, questionou a direção da entidade empresarial durante a audiência pública.
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Estudo técnico previa taxa de R$ 2,70 revertida para a ilha
Outro ponto de forte contestação foi levantado ao longo do debate e envolve os parâmetros originais de formulação da lei. De acordo com os representantes comerciais e hoteleiros, um estudo técnico prévio elaborado pela própria Prefeitura de Angra dos Reis recomendava a fixação de uma cobrança de apenas R$ 2,70 por pessoa.
Além do valor consideravelmente menor, o parecer técnico original indicava que os recursos deveriam ser destinados exclusivamente a um fundo voltado à preservação ambiental da própria Ilha Grande. No entanto, a legislação sancionada e aprovada pelo município desfigurou a recomendação e direcionou a arrecadação da nova tarifa para o caixa geral da prefeitura de Angra.
A comunidade e o empresariado temem que a medida enfraqueça o fluxo de turistas, que representa a principal engrenagem da economia da ilha.
“Ordenamento se faz com gestão, não com taxação. A AMHIG é contra e vai continuar lutando contra essa vergonha e a favor de um turismo realmente sustentável na Ilha Grande”, declarou o representante da associação hoteleira, Frederico Gomes.




