União Europeia veta carne brasileira e produtos de origem animal a partir de setembro por falha sanitária
- mai 13, 2026
Bloco exige garantias rigorosas sobre o uso de antimicrobianos na pecuária; medida atinge carnes, ovos, mel e peixes, afetando um dos principais mercados do Brasil.
Em uma decisão que acende o sinal de alerta no agronegócio nacional, a União Europeia anunciou, nesta terça-feira (12), a exclusão do Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e produtos de origem animal para o bloco. A restrição, confirmada pela Comissão Europeia, entra em vigor no dia 3 de setembro e fundamenta-se na ausência de garantias suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na produção brasileira.
Na prática, se o governo brasileiro não adequar as exigências sanitárias até o prazo estipulado, o mercado europeu será fechado para a carne bovina, de frango, ovos, mel, peixes e animais vivos destinados à alimentação. Enquanto o Brasil enfrenta o embargo, outros parceiros do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, permanecem com acesso livre ao bloco.
O impasse dos antimicrobianos
O ponto central da discórdia é o uso de medicamentos para combater microrganismos (bactérias, vírus e fungos) que, na pecuária, muitas vezes são utilizados como estimuladores de crescimento. A União Europeia proíbe substâncias como virginiamicina, tilosina e bacitracina, por considerar que seu uso excessivo gera resistência antimicrobiana, prejudicando tratamentos em humanos.
Embora o Brasil tenha publicado uma portaria em abril proibindo parte desses componentes, os europeus alegam que o país ainda não demonstrou, por meio de documentação e rastreabilidade, que tais substâncias foram eliminadas de toda a cadeia produtiva exportadora.
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Impacto econômico e comercial
A medida é estritamente regulatória e não indica, necessariamente, contaminação da carne, mas sim uma falha de certificação. Contudo, o impacto financeiro é expressivo, visto que a União Europeia é um dos destinos que melhor remunera a proteína animal brasileira.
A notícia surge em um momento de tensão política: a entrada em vigor provisória do acordo Mercosul-UE enfrenta forte resistência de agricultores europeus, liderados pela França. O comissário europeu para Agricultura, Christophe Hansen, foi enfático: "Os produtores europeus seguem regras rigorosas e os produtos importados precisam obedecer aos mesmos padrões".
Reação do setor
Entidades como a Abiec (indústrias exportadoras de carnes) e a ABPA (proteína animal) informaram que trabalham junto ao Ministério da Agricultura para prestar esclarecimentos técnicos e reverter o veto antes de setembro. O setor apela para a robustez dos sistemas de controle atuais, enquanto produtores de mel orgânico criticam a inclusão do produto na lista, alegando falta de justificativa técnica para a restrição.



