Prefeitura realiza limpeza de canal e galerias em Jardim Primavera
A Secretaria de Obras da Prefeitura de Duque de Caxias, em parceria com a Concer, realizou na manhã de manhã do último dia 22, a limpeza das galerias que passam sob a Rodovia Washington Luiz - BR-040, na altura do bairro Figueira. A galeria é continuidade do canal Jaques DeMolay, que desemboca no Rio Caloombé, e que teve sua limpeza executada por equipes da Prefeitura durante toda a semana. A limpeza das galerias contou com a utilização de retroescavadeira, que promoveram a retirada de lixo, evitando com isso as cheias do canal, em caso de novas chuvas fortes.
A reportagem do Capital havia visitado alguns locais da região no dia anterior, em companhia do Secretário Municipal de Obras Luiz Felipe Carneiro Leão, depois de uma entrevista exclusiva em seu gabinete, onde apresentou, através de computador, mapas sobre o curso do canal Jaques DeMolay e as ocupações irregulares sobre o canal e suas margens.
- O canal Jacques DeMolay atravessa a Rodovia Washington Luiz em quatro dutos de 1000 mm, sob o posto de gasolina. No canteiro central vira uma galeria dupla e depois passa sob o campo de futebol. O cálculo hidráulico eu não tenho porque isso é muito antigo, mas aparentemente, estando limpas as galerias, deve funcionar bem - disse ao falar sobre o trecho que passa sob a rodovia e o posto de gasolina. “O problema é que ela está assoreada. Eles [a Concer] falaram que tem dois anos que não limpam lá embaixo. Eles faziam todos os anos mas não limparam esses dois últimos dois anos. E e eu tenho problema de acesso ao local. Vamos amanhã [dia 22], em um esforço conjunto da prefeitura e a Concer, fazer uma limpeza nele", antecipou o secretário.
Luiz Felipe abordou a ocupação irregular em alguns pontos do canal Jacques DeMolay. “São cerca de 190 metros de confinamento, apenas entre a Washington Luiz e esse campo de futebol", disse. Indagado pelo repórter, o secretário acredita serem mais de 50 imóveis construídos sobre o canal e suas margens. Exibindo imagens no computador, o Secretário mostrou curvas acentuadas do canal. “isso pode ser natural. O rio faz o caminho dele, geralmente o caminho mais baixo. O que acontece muito é que com as construções, as pessoas vão retificando o canal, são consequências das ocupações. Desde que eu cheguei, ele já tem essa configuração. Onde é aberto a gente vai limpando, por exemplo [apontando para o mapa], está aberto aqui, aberto aqui, mas aqui eu não tenho acesso. Acontece muito. Se limpar bem os dois lados e a distância for pequena, a água acaba limpando o meio dele, o problema é quando agente não tem acesso, não pode colocar gente dentro da manilha por causa dos gases, isso colocaria o funcionário em risco. Existe equipamento para fazer a limpeza em lugares confinados, a prefeitura tem esse maquinário e o utiliza, ela trabalha raspando os detritos, mas não limpa 100%. Hoje o rio está todo limpo, se você for em todos os lugares do seu curso, vai constatar que está limpo, estamos desde sexta-feira feira [dia 15] trabalhando nele, e hoje [dia 21] estamos trabalhando também no Calombé".
O secretário exemplificou as dificuldades de acesso apontando no mapa digital um imóvel que se destaca na rua Américo Campos, localizado no número 40. Segundo ele, o imóvel, que dispõe até de piscina, foi totalmente erguido sobre um trecho do canal. “Essa casa está 100% em cima do valão. E não é só ela, tem outras. Mas essa especificamente porque me atrapalha a limpeza", assinalou. Exemplificou também o que é positivo, apontando para um imóvel na Estrada São Mateus nº 10, localizado nos fundos da casa construída sobre o canal. “Essa residência sempre teve problema, pois quando chove forte, fica em situação complicada, pois é uma construção muito baixa. Mas nesta a gente tem acesso, a moradora, dona Geilza, sempre nos recebe". A respeito a construção da casa que está sobre o canal, Luiz Felipe concluiu “A casa é toda lajeada, não sabemos se tem uma visita [acesso ao valão]. O ideal é que tivesse a servidão como a dona Geilza deixou, o que nos permite a limpeza".
A limpeza reduz o assoreamento do canal e a retirada da vegetação, que cresce rápido. “O problema do lixo é grande, infelizmente as pessoas ainda jogam muito lixo nesses locais e isso contribui para as cheias", salientou o secretário, mostrando uma foto do rio Calombé tomado por uma grande quantidade de lixo boiando. “Só nesse dia da limpeza, foram retirados cinco caminhões de garrafas pet", acrescentou o secretário.
Para o prefeito Alexandre Cardoso, que conversou com o Capital após reunião no Gabinete de Gestão de Crise Municipal, no último dia 19, existe uma “herança maldita" que são as construções feitas sem licença e onde não se podia construir, devido a falta de uma fiscalização eficaz do poder público. “As pessoas construíram até sobre valões. Não tem jeito. Ou então você faz um tremendo investimento em obras, para fazer um outro canal. Isso vai custar R$ 20 milhões. Não é justo gastarmos isso porque alguém construiu onde não podia. A gente tem limpado os valões onde é possível, fazemos a manutenção. A outra coisa é que jogam de tudo nos valões. Sacos com lixo, pneus, sofás, tudo que você imagina. E olha que mantemos normalizada a coleta de lixo. O camarada deixa o caminhão passar e depois joga o lixo na calçada, no terreno do vizinho. A gente tem enfrentado esse problema fazendo a limpeza que tem que ser feita, mas o que estamos fazendo é enxugar gelo. Então é importante que as pessoas sejam conscientizadas de que isso não pode".
- Porque enche o Jardim Primavera? - indagou o prefeito, que respondeu: “Porque construíram casas encima do valão Jacques DeMolay. E a gente não tem condições de fazer a limpeza nele todo porque está obstruído por construções. Porque o Calombé deixa as pessoas desalojadas? Porque tem 60, 80 casas na beira do rio. Quando chover, vai encher, não tem jeito. Para demolir essas construções, tenho que entrar na justiça. Para tirar as pessoas das áreas de risco, tenho que construir muitas casas para abrigar essa gente", comentou o prefeito.
Procurada para se manifestar sobre a falta de limpeza das galerias sob a Rodovia Washington Luiz nos últimos dois anos, a Concer afirmou, através de sua assessoria de imprensa, que “atua em períodos de seca no serviço de limpeza" da Rodovia, acrescentando que esse trabalho é feito “anualmente, de forma manual e mecânica". Acrescentou que conta com a parceria da Prefeitura e utiliza também estrutura própria e terceirizada.
De acordo com a prefeitura, em casos de emergência a população pode ligar para a Defesa Civil Municipal, telefone 0800-0230199.
“O bairro cresceu muito. Antes não tinha problema de cheia"
O Capital acompanhou o secretário Luiz Felipe durante vistorias na região. Ele esteve na residência da moradora Geilza de Jesus Nascimento, que reside na Estrada São Mateus desde a década de 70, em companhia dos pais. O secretário foi vistoriar o trabalho feito pela sua equipe no canal que corta a lateral de sua propriedade. “Quando vim para cá, tinha poucas residências. Aqui tinha pequenos peixes, vermelhos e dourados. A água era limpinha. Hoje a situação é outra", comentou a moradora com a reportagem, lembrando que o bairro desenvolveu muito rápido em termos de moradia. Nas chuvas dos últimos dias, segundo ela, faltou pouco para a água entrar em sua casa.
- A dona Geilza liga pra gente sempre, ela é uma das mais ativas moradoras daqui. A gente procura atender sempre. A melhor solução, aqui, porém, é a construção de uma galeria. Já existe o projeto para a obra, já tem até orçamento. Mas enquanto ela não sai, temos que ficar limpando - comentou o secretário. A moradora falou sobre a importância da conscientização das pessoas com relação a jogar lixo em locais impróprio. “Pintei o muro com um pedido: não jogue lixo aqui. Mas muitos não respeitam. Não é necessário isso, pois tem coleta segunda, quarta e sexta-feira", lembrou a moradora, que sugeriu à prefeitura a colocação de lixeiras para facilitar os moradores.
Na Rua Américo de Campos, o reportagem conseguiu falar com a moradora do número 40, imóvel erguido sobre o canal Jacques DeMolay há quase 10 anos. A moradora, que estava de saída e que não forneceu o nome ao Capital, disse que adquiriu o imóvel há cerca de três anos. Ela acrescentou que as últimas chuvas alagaram a rua e que dispõe, no interior de seu imóvel, um acesso ao canal e aproveito para se colocar a disposição da prefeitura para o trabalho que se fizer necessário. A informação foi transmitida pela reportagem ao Secretário, que no momento do encontro com a moradora encontrava-se em outro ponto do bairro.
O bairro abriga alguns condomínios, entre eles o Estrela do Sul, localizado entre a Estrada São Mateus e a Alameda Leonardo Da Vinci. Desta última, visualizando o Canal Jacques DeMolay, percebe-se que o Condomínio, segundo um funcionário da secretaria de Obras que acompanhou a equipe de reportagem, estendeu sua área para dentro do canal, medida que veio a atrapalhar ainda mais a passagem das águas no local, com destino ao Rio Calombé.


